08 de julho de 2026
Internacional

Premiê da Turquia proíbe Twitter e causa protestos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Murad Sezer/Reuters

O Twitter estava sendo usado para denunciar a corrupção contra o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan

O bloqueio do microblog Twitter na Turquia, ordenado pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, provocou protestos dentro e fora do país e foi criticado pelo presidente Abdullah Gül, um dos aliados do chefe de governo.

O Twitter é uma das redes sociais mais usadas na Turquia e, nos últimos meses, serviu para difundir denúncias de corrupção contra Erdogan e seu governo.

A autoridade de comunicação do país bloqueou o microblog horas após o primeiro-ministro pedir a proibição, em discurso a seus aliados nesta quinta-feira (20).

"Vamos bloquear o Twitter. Não estou nem aí para o que a comunidade internacional vai dizer. Eles verão a força da Turquia", provocou.

O microblog reagiu imediatamente, sugerindo a turcos que driblem o bloqueio enviado mensagens por meio de seus celulares. Os usuários também continuaram a acessar a rede social usando redes de navegação privada.

Presidente

Os mecanismos para burlar o bloqueio turco foram usados pelo presidente da Turquia, Abdullah Gül, para criticar seu aliado.

"Não podemos aprovar um bloqueio total de uma plataforma de redes sociais [...]. Espero que esta situação não dure muito tempo", escreveu.

Gül já havia se oposto ao primeiro-ministro quando ele ameaçou proibir o Facebook e o YouTube, em outubro de 2013 e no início deste mês.

Em Bruxelas, a comissária europeia para Novas Tecnologias, Neelie Kroes, afirmou que a "proibição do Twitter na Turquia não tem fundamento, é inútil e covarde". Para ela, tanto o povo turco quanto o mundo verão o bloqueio como "censura".

Há três semanas, Erdogan virou alvo de investigações após a divulgação, nas redes sociais, de gravações de ligações telefônicas grampeadas.

Nos áudios, dois homens, que parecem ser o chefe de governo e seu filho Bilal, negociam valores a serem recebidos de empresários e a forma como esconder o dinheiro arrecadado da polícia.

As escutas, que o chefe de governo havia inicialmente classificado de "montagens", antes de reconhecer a veracidade de algumas, irritaram a oposição e geraram protestos em várias cidades do país.

Desde meados de dezembro, o governo de Erdogan, que conduz o país desde 2002, está envolvido em escândalos de corrupção.

O chefe de governo se diz vítima de uma conspiração conduzida pelo líder religioso Fettulah Gülen. Ele o acusa de influenciar o Judiciário e a polícia e fazer campanha contra seu partido para as eleições locais da Turquia, em 30 de março.