O presidente russo, Vladimir Putin, sancionou nesta sexta-feira (22) a legislação que concluiu o processo de anexação da Crimeia, desafiando os líderes ocidentais que afirmam que a península do mar Negro permanece parte da Ucrânia.
Em uma cerimônia no Kremlin transmitida ao vivo pela TV, Putin sancionou a lei ratificando um tratado que torna a Crimeia parte da Rússia, assim como a legislação que cria dois novos distritos administrativos russos: a Crimeia e a cidade portuária de Sebastopol.
“Quero parabenizar todos os cidadãos da Federação Russa - moradores do país inteiro, Crimeia e Sebastopol - pelo que é, sem nenhum exagero, um marco”, disse Putin a um pequeno grupo de parlamentares e autoridades antes de assinar o documento.
Legisladores leais ao presidente aprovaram rapidamente a anexação da Crimeia nas duas Casas do Parlamento depois que o presidente assinou um tratado, na terça-feira, em um evento maior também realizado no Kremlin.
Dívida
O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, disse em uma reunião com o presidente Vladimir Putin, ontem, que a Ucrânia deve no total 16 bilhões de dólares à Rússia, disseram agências de notícias locais.
Medvedev disse que a Ucrânia deve 11 bilhões de dólares uma vez que o tratado segundo o qual a Rússia fornece gás mais barato a Kiev em troca da base naval de Sebastopol está “sob denúncia”.
Além disso, ele afirmou que a Ucrânia deve 3 bilhões de dólares de um recente empréstimo em forma da compra pela Rússia de eurobonds, e que mais 2 bilhões de dólares são devidos à estatal russa Gazprom.
União Europeia e Ucrânia assinam acordo histórico
A União Europeia e a Ucrânia assinaram nesta sexta-feira os pontos principais de um acordo de associação política, adotando o mesmo tratado que o então presidente Viktor Yanukovich rejeitou em novembro, numa decisão que levou à sua deposição.
O primeiro-ministro Arseny Yatseniuk, os dirigentes europeus Herman van Rompuy e José Manuel Barroso e líderes dos 28 países da UE assinaram os artigos principais do Acordo de Associação durante a cúpula da UE que acontece em Bruxelas.
O acordo prevê uma maior cooperação política e econômica entre a UE e a Ucrânia, embora as partes mais substanciais do acordo, relativas ao livre comércio, só devam ser assinadas depois que a Ucrânia realizar novas eleições presidenciais, em maio.
Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, disse que o acordo deixará a Ucrânia e seus 46 milhões de habitantes mais próximos do coração da Europa e de um “modo de vida europeu”.
“Ele reconhece as aspirações do povo da Ucrânia a viver em um país governado por valores, pela democracia e pelo estado de direito, onde todos os cidadãos tenham envolvimento na prosperidade nacional”, afirmou.
Embora isso possa levar a uma recuperação da dilapidada economia ucraniana, também poderá atrair retaliações da Rússia, que já impôs um maior rigor nos trâmites alfandegários com a Ucrânia.
Outro ônus para Kiev na associação com a UE é a necessidade de promover mudanças institucionais e adotar onerosas regras de comércio e ambiente.