"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Esse trecho do "Samba da bênção", de Vinicius de Moraes, lembra o romance de Chica (Natália do Vale) e Ricardo (Herson Capri) no folhetim "Em família".
"Um reencontro é como um poema que não foi terminado. Se a paixão voltou a bater forte, é porque ainda há história para ser vivida", diz a psicóloga Rosana Braga.
Num caso em que a arte imita a vida, a técnica Graciela Sardinha, de 32 anos, voltou a escrever o seu poema 15 anos após encontrar seu príncipe, Daniel Schulte Rocha. E não se trata de conto de fadas, mas do par de sua festa de debutante.
"Nos conhecemos e ficamos semanas antes do meu aniversário, mas não namorávamos. Daniel levou uma Brasília e um Monza lotados de gente para a festa. Os amigos brincavam que logo em seguida ele virou sapo", diverte-se Graciela.
E foi Daniel quem se reaproximou, via rede social, daquela que viria a ser a sua rainha. Eles saíram para tomar um chope.
"Fiquei supernervosa, com o coração acelerado e percebi que ele tinha mudado bastante."
Saber reconhecer as diferenças e solucionar ruídos do passado, aliás, é ponto chave. "É importante analisar o que precisa ser esquecido do romance do passado, e ambos devem estar dispostos a construir uma nova história", diz a psicóloga.
Faltou contar o fim. Nesse conto de fadas moderno, o sapo Daniel voltou a ser príncipe. "Depois do chope, namoramos e casamos com tudo o que tinha direito, incluindo todos os convidados dos 15 anos dela!", conta o técnico de operações, de 37 anos. E viveram felizes.
Conheça outras histórias de reencontros e, se sentir borboletas no estômago quando vir uma paixão antiga, dê uma olhadinha nas dicas da especialista e tome coragem. Até porque, nesse caso, figurinha repetida pode completar o álbum!
Dicas da especialista
Ficar presa ao passado é a principal armadilha de um reencontro, de acordo com a psicóloga Rosana Braga, do site ParPerfeito. "Ambos mudaram e viveram coisas neste meio tempo. É necessário que os dois abram espaço para o novo. É importante saber ouvir o outro, tentar entender por que a pessoa agiu de determinada forma e o que mudou. Abrir-se como se fosse um novo encontro, mas guardar o que houve de belo. Há algo tal qual maktub, como se nada pudesse fazer com que o destino não se cumprisse. Uma história que foi interrompida e tem força para recomeçar é um privilégio de quem se entrega, arrisca e se permite, de quem - mesmo morrendo de medo - não deixa que os anos lhe tirem a capacidade de acreditar que amor não tem idade, tempo ou distância.