10 de julho de 2026
Internacional

Ofensivas de Putin levam Obama a fazer ajustes na política externa

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Reuter

Ofensivas de Putin levam Obama a fazer ajustes na política externa

Seis meses antes de se reeleger, em 2012, o presidente Barack Obama foi apanhado por um microfone em conversa com seu então colega russo, Dmitri Medvedev. Obama disse sobre questões sensíveis, como o sistema de defesa antimísseis a ser instalado na Polônia: "Terei mais flexibilidade depois da eleição".

Referindo-se ao homem que voltaria à Presidência russa dali a semanas, Medvedev respondeu: "Transmitirei a informação a Vladimir".

Enquanto Vladimir Putin cimentava seu controle sobre a Crimeia, os rivais políticos de Obama retomavam essas palavras para apontá-las como prova de uma desesperadora ingenuidade quanto à natureza do regime russo.

No Leste Europeu, a conversa parece ter confirmado o medo generalizado de que Obama desconsiderasse as preocupações de segurança da região –mesmo as de países-membros da Otan (aliança militar ocidental), como a Polônia– em troca da vã esperança de avanços diplomáticos na relação com Putin.

A intervenção militar da Rússia na Crimeia mudou a política externa em Washington. O governo Obama já não baseia grande parte dela na perspectiva de acordos com Putin e está ávido por reparar a percepção de negligência quanto ao Leste Europeu.

Depois de um período em que os EUA queriam transferir seu foco para a Ásia, mas terminaram obcecados pelo Oriente Médio, agora é hora de prestar muito mais atenção à segurança da Europa.

"A história da região está mudando", disse o premiê polonês, Donald Tusk, ao vice americano, Joe Biden. "Só a solidariedade euroatlântica permitirá preparar reações fortes à agressão russa."

Um dos desafios de Obama quando visitar a Europa, na semana que vem, será articular como a Otan deve responder à disposição russa de alterar fronteiras na Europa.

Além das sanções severas que os EUA preparam caso a Rússia intervenha na Ucrânia, o americano sofrerá pressão para dar maior capacidade de dissuasão militar contra o expansionismo russo.

O Pentágono já deu passos modestos: enviou 12 caças F-16 para um exercício de treinamento na Polônia e seis aviões para uma operação da Otan nos países bálticos.

Dois aviões de vigilância na Polônia e Romênia devem monitorar o território ucraniano, e um exercício militar com a Ucrânia, planejado há tempos, deve enfim ocorrer na metade do ano. Medidas adicionais estão em debate.

TROPAS

Eric Edelman, ex-funcionário do Departamento de Defesa dos EUA, diz que a Otan deveria rever a promessa de não estacionar forças substanciais nos antigos países do bloco soviético.

"Não falo de reforço militar convencional, que possa ser visto como provocação. Mas precisamos tornar mais difícil que a Rússia faça contra países da Otan o que fez impunemente na Crimeia."

O problema com ideias desse tipo é seu potencial impacto na Rússia. Putin parece capaz de rotular qualquer atitude como provocação, e a última coisa que a Casa Branca quer é lhe dar uma desculpa para intervir mais.

Outro risco é que elas exponham novas divisões na aliança, já rachada quanto às sanções aos russos.