08 de julho de 2026
Internacional

Rússia continua a tomar bases e navios

Reuters e Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Ucrânia, Olexander Turchinov, exigiu ontem que as autoridades da Crimeia liberem Yuliy Mamchur, comandante da base ucraniana de Belbek. A instalação militar foi atacada anteontem por homens armados não identificados.

Reuters

Menino vestido com uniforme militar participa de manifestação na praça da Independência, em Kiev

Os invasores usaram veículos blindados para entrar na base, onde trocaram tiros com soldados ucranianos, deixando um militar do país e um jornalista feridos. O governo ucraniano acusa tropas russas de terem feito o ataque.

Em comunicado, Turchinov afirma que Mamchur foi sequestrado pelos homens armados. Ele também ordenou que as forças de segurança elaborem um plano para reagir às prisões e desaparecimentos de ucranianos na península, anexada à Rússia nesta semana.

O comandante da base de Belbek foi um dos primeiros a exigir uma posição do Ministério da Defesa sobre o futuro dos militares ucranianos na Crimeia. Há dez dias, disse que as forças não poderiam resistir por muito tempo ao ataque de militares russos, maiores e mais bem preparadas.

Diante da preocupação dele e de outros comandantes, o ministro da Defesa, Igor Teniuj, pediu uma ação do governo interino, que manteve as tropas na região, apesar dos ataques. A base de Belbek foi uma das seis instalações militares invadidas por homens armados nos últimos dez dias.

O Ministério da Defesa da Rússia afirma que 189 instalações militares ucranianas na Crimeia já passaram para as mãos do país, que tem em Sebastopol a sede de sua frota no mar Negro. 

Resistência

O Ministério da Defesa da Ucrânia havia ordenado ontem que a tripulação do navio de guerra Konstantin Olshanski, o último sob controle de Kiev na região da Crimeia, resistisse até o final contra o avanço de forças aliadas da Rússia. O que não aconteceu.

Risco de guerra

O risco de uma guerra entre Ucrânia e Rússia aumenta, advertiu ontem o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrei Dechtchitsa, ao denunciar a mobilização de tropas russas na fronteira leste de seu país.

Os riscos “aumentam (...) ficam mais elevados”, respondeu o chefe da diplomacia da Ucrânia ao ser perguntado pela rede americana ABC sobre as chances de eclosão de um conflito militar entre Kiev e Moscou.

Ontem, o comandante militar da Otan, o americano Phillip Breedlove, acusou os russos de enviar um número exagerado de soldados para exercícios. Ele teme que a ação seja um disfarce para a invasão da Transdnístria, região autônoma da Moldova que faz fronteira com o oeste da Ucrânia.

O vice-ministro da Defesa russo, Anatoly Antonov, nega e afirma que o contingente usado está de acordo com as normas internacionais. Com maioria russa, a Transdnístria se declarou independente da Moldova em 2008. Também neste domingo, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa ucraniano, Andrei Parubi, disse que as tropas russas de Vladimir Putin estão preparadas para atacar a Ucrânia “a qualquer momento”.

Putin e Merkel conversam

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a chanceler alemã, Angela Merkel, conversaram por telefone ontem e manifestaram satisfação pelo acordo obtido para enviar monitores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) à Ucrânia, informou o Kremlin.

“A situação que surgiu depois da reunificação da Crimeia junto à Federação Russa foi discutida”, informou a assessoria de imprensa de Putin.

A Rússia concordou na sexta-feira com os outros 56 membros da OSCE para enviar uma missão de monitoramento de seis meses à Ucrânia, mas disse que a missão não tem mandato na Crimeia, que Moscou anexou depois de os eleitores da peníncula escolherem se juntar à Rússia, em um referendo criticado por países ocidentais.

O ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse ontem que a União Europeia estava unida em sua disposição de impor sanções econômicas à Rússia se o impasse sobre a Ucrânia se agravar, e que Moscou taria mais a perder do que os países do Oeste.