O presidente da Ucrânia, Olexander Turchinov, exigiu ontem que as autoridades da Crimeia liberem Yuliy Mamchur, comandante da base ucraniana de Belbek. A instalação militar foi atacada anteontem por homens armados não identificados.
|
Reuters |
|
|
|
Menino vestido com uniforme militar participa de manifestação na praça da Independência, em Kiev |
Os invasores usaram veículos blindados para entrar na base, onde trocaram tiros com soldados ucranianos, deixando um militar do país e um jornalista feridos. O governo ucraniano acusa tropas russas de terem feito o ataque.
Em comunicado, Turchinov afirma que Mamchur foi sequestrado pelos homens armados. Ele também ordenou que as forças de segurança elaborem um plano para reagir às prisões e desaparecimentos de ucranianos na península, anexada à Rússia nesta semana.
O comandante da base de Belbek foi um dos primeiros a exigir uma posição do Ministério da Defesa sobre o futuro dos militares ucranianos na Crimeia. Há dez dias, disse que as forças não poderiam resistir por muito tempo ao ataque de militares russos, maiores e mais bem preparadas.
Diante da preocupação dele e de outros comandantes, o ministro da Defesa, Igor Teniuj, pediu uma ação do governo interino, que manteve as tropas na região, apesar dos ataques. A base de Belbek foi uma das seis instalações militares invadidas por homens armados nos últimos dez dias.
O Ministério da Defesa da Rússia afirma que 189 instalações militares ucranianas na Crimeia já passaram para as mãos do país, que tem em Sebastopol a sede de sua frota no mar Negro.
Resistência
O Ministério da Defesa da Ucrânia havia ordenado ontem que a tripulação do navio de guerra Konstantin Olshanski, o último sob controle de Kiev na região da Crimeia, resistisse até o final contra o avanço de forças aliadas da Rússia. O que não aconteceu.
Risco de guerra
O risco de uma guerra entre Ucrânia e Rússia aumenta, advertiu ontem o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrei Dechtchitsa, ao denunciar a mobilização de tropas russas na fronteira leste de seu país.
Os riscos “aumentam (...) ficam mais elevados”, respondeu o chefe da diplomacia da Ucrânia ao ser perguntado pela rede americana ABC sobre as chances de eclosão de um conflito militar entre Kiev e Moscou.
Ontem, o comandante militar da Otan, o americano Phillip Breedlove, acusou os russos de enviar um número exagerado de soldados para exercícios. Ele teme que a ação seja um disfarce para a invasão da Transdnístria, região autônoma da Moldova que faz fronteira com o oeste da Ucrânia.
O vice-ministro da Defesa russo, Anatoly Antonov, nega e afirma que o contingente usado está de acordo com as normas internacionais. Com maioria russa, a Transdnístria se declarou independente da Moldova em 2008. Também neste domingo, o secretário do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa ucraniano, Andrei Parubi, disse que as tropas russas de Vladimir Putin estão preparadas para atacar a Ucrânia “a qualquer momento”.
Putin e Merkel conversam
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e a chanceler alemã, Angela Merkel, conversaram por telefone ontem e manifestaram satisfação pelo acordo obtido para enviar monitores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) à Ucrânia, informou o Kremlin.
“A situação que surgiu depois da reunificação da Crimeia junto à Federação Russa foi discutida”, informou a assessoria de imprensa de Putin.
A Rússia concordou na sexta-feira com os outros 56 membros da OSCE para enviar uma missão de monitoramento de seis meses à Ucrânia, mas disse que a missão não tem mandato na Crimeia, que Moscou anexou depois de os eleitores da peníncula escolherem se juntar à Rússia, em um referendo criticado por países ocidentais.
O ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse ontem que a União Europeia estava unida em sua disposição de impor sanções econômicas à Rússia se o impasse sobre a Ucrânia se agravar, e que Moscou taria mais a perder do que os países do Oeste.