09 de julho de 2026
Internacional

G7 alerta Rússia para mais sanções


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Jerry Lampen/Reuters

Obama (centro) e outros líderes do G7 participam de Cúpula de Segurança Nuclear, em Haia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus principais aliados das nações mais industrializadas do mundo advertiram a Rússia nesta segunda-feira (24) de que enfrentará sanções econômicas prejudiciais se o presidente russo, Vladimir Putin, adotar novas medidas para desestabilizar a Ucrânia após a ocupação da Crimeia.

 

Líderes do G7, em uma reunião sem a Rússia (que integra o G8), concordaram em realizar a sua própria cúpula neste ano, em vez de participarem da reunião do G8 marcada para Sochi, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, na costa do Mar Negro - perto da Crimeia - e também em suspender a participação deles no G8 até que a Rússia mude de atitude.

 

Num dia em que o governo da Ucrânia ordenou a retirada de suas tropas remanescentes na Crimeia e as forças russas usaram a força para capturar uma base naval e um navio, os líderes de Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Canadá condenaram o que chamaram de “tentativa ilegal da Rússia de anexar a Crimeia, em violação ao direito internacional”.

 

Eles também concordaram em trabalhar juntos para reduzir sua dependência do petróleo e gás russos. 

 

“Continuamos prontos para intensificar ações, incluindo sanções coordenadas setoriais que terão um impacto cada vez mais significativo na economia russa, se a Rússia continua a escalar esta situação”, disseram em uma declaração conjunta.

 

Obama, que impôs sanções mais duras a Moscou do que os líderes europeus por causa da tomada da estratégica península, disse a repórteres: “A Europa e a América estão unidos em nosso apoio ao governo ucraniano e ao povo ucraniano”.

 

“Estamos unidos para impor um custo sobre a Rússia por suas ações até agora”, disse ele sobre as proibições de vistos e congelamento de bens sobre altos funcionários russos e da Crimeia.

 

O chanceler russo, Sergei Lavrov, procurou minimizar o boicote ao G8. “Se os nossos parceiros ocidentais acreditam que o formato se esgotou, nós não nos apegamos a esse formato. Nós não acreditamos que vai ser um grande problema se não houver reunião”, disse ele a repórteres.

 

Os Estados Unidos e o Reino Unido tentam convencer os demais integrantes do G8 a retirar a Rússia do grupo por causa da anexação da região autônoma da Crimeia, um dos passos que aumentou a crise entre Moscou e a Ucrânia.

 

Segundo membros da Casa Branca, este será o pedido do presidente americano, Barack Obama, durante reunião com os outros integrantes do grupo na Cúpula de Segurança Nacional que acontece em Haia, na Holanda, nesta segunda-feira.

 

A intenção é cancelar a reunião do G8, marcada para junho na cidade russa de Sochi, e fazer outro encontro, desta vez só com os sete países remanescentes Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá.

 

Com isso, seria mais uma forma de isolar à Rússia, que já sofre sanções econômicas a deputados e membros do governo do presidente Vladimir Putin por ter anexado a Crimeia desde a semana passada.

 

“Nós acreditamos que não há razão para que a relação dos países do G7 com a Rússia vá adiante”, disse o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Ben 

Rhodes, em Haia.

 

Outros países defenderam pelo menos a suspensão da Rússia. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que está “absolutamente claro” que não haverá reunião do G8. Esta é a mesma opinião da chanceler alemã, Angela Merkel.

 

Em resposta à movimentação do Ocidente para cancelar o evento, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que não será um problema para Moscou se a reunião do G8 não acontece. “Se nossos parceiros ocidentais consideram que esse formato se esgotou, nós não devemos nos agarrar a ele”.

 

As declarações foram feitas após o primeiro encontro entre Lavrov e o colega ucraniano, Andriy Deshchytsia, que havia acusado, nesta segunda-feira (24), a Rússia de estar preparando uma invasão do leste da Ucrânia.

 

Resistência encerrada

 

Na manhã desta segunda-feira (24), as tropas russas invadiram uma base naval ucraniana no porto de Feodosia, se impondo sobre um dos últimos símbolos remanescentes de resistência, e mais tarde invadiram e capturaram um navio ucraniano, disparando tiros de advertência e granadas de efeito moral. Não foram registradas vítimas em nenhum dos incidentes.

 

Em Kiev, o presidente em exercício Oleksander Turchinov disse ao Parlamento que os soldados ucranianos remanescentes e suas famílias seriam retirados da região em face de “ameaças à vida e à saúde de nosso pessoal”. Isso efetivamente põe fim a qualquer resistência ucraniana, menos de um mês desde que Putin declarou o direito da Rússia de intervir militarmente no território de seu vizinho.

 

Crise da Ucrânia pode afetar pacto mundial anti-arma atômica, diz ONU

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou nesta segunda-feira que a crise na Ucrânia pode ter profundas implicações para a integridade de um tratado mundial concebido para evitar a disseminação de armas nucleares.

 

A Ucrânia desistiu de seu arsenal nuclear da era soviética em 1994, conforme os termos do Memorando de Budapeste, assinado em conjunto com Grã-Bretanha, Estados Unidos e Rússia. O tratado deu garantias à soberania e integridade da Ucrânia em troca do compromisso, uma vez cumprido, de desistir das armas nucleares do país.

 

Os comentários de Ban sugerem a preocupação de que os acontecimentos na Ucrânia possam fazer com que alguns países se tornem mais relutantes em desistir de qualquer capacidade que possuam no âmbito das armas nucleares, ou levar outros a buscar produzi-las. Ban disse que as garantias de segurança foram uma condição essencial para a posterior adesão da Ucrânia ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), de 1970 - o pacto antiarmas nucleares firmado por 189 nações.