Muito se questiona a respeito da ação humana em nosso planeta nos últimos séculos. Milhares e milhares de pessoas creem que as infindáveis catástrofes naturais, os diversos conflitos armados e os constantes desajustes políticos, religiosos, econômicos, sociais etc são frutos da ação do homem. Fato é que seria pra lá de leviano creditar ao destino a culpa por esses acontecimentos. Tanto é verdade que ao analisarmos a inteligência humana veremos que ela age apenas de acordo com a consciência e interesse de cada ser humano. Portanto, como culpar o destino de algo feito por um ser capaz de raciocinar?
Sem desejar teorizar sob aspectos religiosos, mas é do conhecimento de todos o livre arbítrio. Por esta razão, a seguir seguem três exemplos de como parte dos seres humanos sequer sabem fazer suas escolhas: 1) o avião que outrora serviria para aproximar pessoas agora é usado para distanciar pessoas ? ataques terroristas; 2) os investimentos que outrora seriam destinados às pesquisas para desenvolver a cura de doenças agora são destinados à criação de armas biológicas ? no submundo da política mundial; 3) a inteligência que possuímos e lapidamos ao longo da vida ? visando criar um mundo melhor ? agora é usada para fazer burrice ? quanta ironia e desperdício!
Hoje, o pai mata o filho e vice-versa. Hoje, a mãe mata a filha e vice-versa. Não importa qual seja a relação entre as pessoas porque hoje, infelizmente, a vida não tem mais valor ? se é que um dia ela teve. Mata-se por absolutamente nada! É de se estranhar tanta inteligência para pouco raciocínio, não? Sendo assim, tanto ao não saber o que quer quanto ao não saber fazer escolhas, o ser humano está fadado à ruína ? fracasso. O que criamos hoje... um dia pode nos destruir! Não porque criamos com este fim, mas porque outro ser humano também dotado de inteligência resolveu utilizá-la de forma maléfica ? por opção.
Por fim, dado o exposto, se possuímos o livre arbítrio, se convivemos apenas entre seres humanos e se não há nada de extraordinário fora do planeta que nos prejudique... qual a razão de vivermos em um mundo que está em constante regresso no que diz respeito às relações humanas? A resposta? O homem e seu lobo, ou seja, ele mesmo! O ser refém de suas escolhas e decisões. O homem descrito por Thomas Hobbes em Leviatã (1651).
Rafael Aguiar ? graduado em Relações Internacionais.