Muhammad Badie, líder supremo da Irmandade Muçulmana, foi nesta quinta-feira (25) a julgamento no Egito ao lado de outros 682 islamitas, respondendo a acusações que incluem homicídio e participação em uma organização terrorista.
O julgamento com previsão de durar até quinta-feira segue a condenação à morte, ontem, de 529 seguidores da organização. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que essa foi a maior sentença de morte na história moderna do Egito.
A Irmandade Muçulmana tem sofrido uma violenta política de perseguição desde o golpe de Estado que depôs, em 3 de julho de 2013, o presidente islamita Mohammed Mursi. O governo interino, apoiado pelo Exército, tem detido e julgado seus seguidores.
Mursi havia sido o primeiro presidente democraticamente eleito no Egito, substituindo o ex-ditador Hosni Mubarak, deposto durante as manifestações da Primavera Árabe. O islamita, porém, sofreu forte oposição durante seu primeiro e único ano de mandato, culminando em protestos contra seu governo e na manobra do Exército que o retirou da Presidência.
A repressão levou, desde o golpe militar, a embates entre simpatizantes da Irmandade Muçulmana e as forças de segurança. Centenas de islamitas foram mortos em agosto no massacre da mesquita de Rabia al-Adawiya, onde se aquartelavam. A organização foi declarada, recentemente, como terrorista segundo as leis egípcias.
Advogados boicotaram o julgamento de hoje diante do que afirmam ser irregularidades legais, incluindo a violação dos procedimentos de defesa.
A sentença de morte a centenas de islamitas, ontem, havia levado a uma onda de condenações internacionais. Mas, em veículos de imprensa, o Judiciário foi elogiado, como nota o jornal independente "Mada Masr".
Ahmad Mussa, responsável pelo programa "Sob Minha Responsabilidade", afirmou na TV que "nós não estamos tristes [com as sentenças], estamos felizes". "Queimem eles, queimem seus corpos, queimem suas roupas", afirmou, em relação aos islamitas condenados.