09 de julho de 2026
Internacional

Egito inicia nova rodada de julgamento de islamitas

Por Diogo Bercito | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Muhammad Badie, líder supremo da Irmandade Muçulmana, foi nesta quinta-feira (25) a julgamento no Egito ao lado de outros 682 islamitas, respondendo a acusações que incluem homicídio e participação em uma organização terrorista.

 

O julgamento com previsão de durar até quinta-feira segue a condenação à morte, ontem, de 529 seguidores da organização. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que essa foi a maior sentença de morte na história moderna do Egito.

 

A Irmandade Muçulmana tem sofrido uma violenta política de perseguição desde o golpe de Estado que depôs, em 3 de julho de 2013, o presidente islamita Mohammed Mursi. O governo interino, apoiado pelo Exército, tem detido e julgado seus seguidores.

 

Mursi havia sido o primeiro presidente democraticamente eleito no Egito, substituindo o ex-ditador Hosni Mubarak, deposto durante as manifestações da Primavera Árabe. O islamita, porém, sofreu forte oposição durante seu primeiro e único ano de mandato, culminando em protestos contra seu governo e na manobra do Exército que o retirou da Presidência.

 

A repressão levou, desde o golpe militar, a embates entre simpatizantes da Irmandade Muçulmana e as forças de segurança. Centenas de islamitas foram mortos em agosto no massacre da mesquita de Rabia al-Adawiya, onde se aquartelavam. A organização foi declarada, recentemente, como terrorista segundo as leis egípcias.

 

Advogados boicotaram o julgamento de hoje diante do que afirmam ser irregularidades legais, incluindo a violação dos procedimentos de defesa.

 

A sentença de morte a centenas de islamitas, ontem, havia levado a uma onda de condenações internacionais. Mas, em veículos de imprensa, o Judiciário foi elogiado, como nota o jornal independente "Mada Masr".

 

Ahmad Mussa, responsável pelo programa "Sob Minha Responsabilidade", afirmou na TV que "nós não estamos tristes [com as sentenças], estamos felizes". "Queimem eles, queimem seus corpos, queimem suas roupas", afirmou, em relação aos islamitas condenados.