09 de julho de 2026
Nacional

Após rebaixamento, Bolsa de Valores tem 7ª alta e o dólar cai

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O corte já esperado da nota soberana do Brasil pela agência de risco Standard & Poor's teve efeito nulo nos mercados nesta terça-feira, abrindo espaço para a Bolsa brasileira registrar seu sétimo dia seguido de ganho, enquanto o dólar caiu ao mais baixo nível em quatro meses.

ABr

O dólar caiu ao mais baixo nível em quatro meses

O Ibovespa, principal índice do mercado de ações nacional, fechou o dia com valorização de 0,39%, aos 48.180 pontos. O ganho do índice foi puxado pelas ações mais negociadas da mineradora Vale, que subiram 1,66%. Esses papéis representam mais de 8% do Ibovespa.

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, encerrou o dia com desvalorização de 0,74%, a R$ 2,302 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,68%, a R$ 2,306. Ambos os valores são os menores desde 26 de novembro de 2013.

"O prêmio de risco do Brasil, o CDS (Credit Default Swap - espécie de seguro contratado pelos investidores contra calotes), estava disparando desde o fim do ano passado. Nosso CDS estava até acima dos países em crise na Europa, como a Espanha. Isso era um indicativo claro de que o mercado já esperava pelo corte na nota de crédito do Brasil", diz Filipe Machado, analista da Geral Investimentos.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da gestora Invx Global, a surpresa da decisão da S&P ficou por conta do "timing". "Mesmo que o corte já estivesse sendo descontado no preço dos ativos, o mercado, no geral, esperava que o corte fosse anunciado apenas mais à frente no ano", diz.

Segundo a agência, o rebaixamento divulgado na noite de ontem reflete a combinação da situação fiscal difícil no Brasil com a perspectiva de baixo crescimento nos próximos anos, além de uma piora nas contas externas.

Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, avalia em relatório que a aproximação da Copa do Mundo e a campanha presidencial de outubro também podem ter influenciado a necessidade de uma ação antecipada pela S&P.

"Em nossa visão, o rebaixamento está bem ancorado na clara deterioração dos fundamentos macroeconômicos e na visível erosão da credibilidade política nos últimos anos. Logo, o movimento não é totalmente uma surpresa para o mercado", afirma.

Ramos diz ainda que o ônus do processo é a necessidade de o governo reagir ao rebaixamento se dedicando mais a uma política mais disciplinada. "Uma falha nesse sentido deve aprofundar ainda mais o sentimento do mercado e os preços dos ativos", completa.

Perspectiva

A avaliação de especialistas é que, embora um rebaixamento seja negativo, o fato de a S&P ter movido a perspectiva da nota de negativa para neutra ajuda o mercado a amenizar o efeito do corte.

"Isso quer dizer que o Brasil tem cerca de um ano, tempo em que a agência costuma reavaliar as notas, para mostrar que consegue fazer os ajustes de que precisa", diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

A expectativa de um possível rebaixamento se arrastava desde o ano passado. Na última semana, representantes da S&P se reuniram com membros do governo para discutir as perspectivas das contas públicas.

Estatais

Após cortar a nota do Brasil, a S&P também rebaixou a nota da Petrobras, Eletrobras e da Samarco subsidiária da Vale que faz pelotas de aço. O movimento é considerado natural, e também acontece com estatais de outros países quando eles têm sua nota reduzida.

Embora tenham mostrado queda logo após a abertura do mercado, as ações da Petrobras logo inverteram a tendência e fecharam no azul. Os papéis preferenciais da estatal, mais negociados e sem direito a voto, avançaram 0,56%. Já os ordinários, menos negociados e com direito a voto, subiram 0,79%.

Os papéis preferenciais da companhia de energia Eletrobras caíram 3,07%, enquanto os ordinários tiveram baixa de 1,86%.

"A diferença é que a Eletrobras teve uma alta bem mais expressiva que a Petrobras nos últimos dias. Desde a semana passada, a alta acumulada pela ação mais negociada da elétrica está em torno de 15%. É natural que haja uma correção", avalia Machado, da Geral.