09 de julho de 2026
Polícia

Casos de estupro registram aumento em Bauru

Vítor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Para a delegada Priscila Bianchini, o que aumentou foi a coragem das mulheres em denunciar

Mais uma vez, os dados oficiais da segurança divulgados nesta terça-feira (25) mostram um aumento expressivo de quase todos os índices de criminalidade em Bauru (veja no quadro ao lado e na página 19). 

 

Contudo, um desses termômetros chama a atenção: foram 12 registros a mais de estupros na cidade do que o mesmo período de 2013.

 

A estatística divulgada nesta terça pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) é referente aos dois primeiros meses do ano. Conforme os dados oficiais, foram 26 estupros em 2014.

 

No primeiro bimestre do ano passado, foram computados apenas 14 casos, o que representa, este ano, um aumento de 85,7%. Já em 2012, também de acordo com a estatística do Estado, foram 16 registros de estupros em Bauru. 

 

A delegada Priscila Bianchini, responsável pela divisão de crimes sexuais na Central de Polícia Judiciária (CPJ), não acredita que tenha aumentado o número de ocorrências. 

 

Para ela, os dados revelam que “aumentou a coragem de denunciar”.

 

“Penso que as pessoas estão denunciando mais. Elas estão tendo mais coragem de procurar a polícia. Temos vários casos antigos e que as pessoas começaram a denunciar somente agora”, explica a delegada.

 

Para ela, não é só a coragem de fazer a denúncia até a polícia que está aumentando. Cresceu também a coragem de contar a familiares o que vem ocorrendo. “Tive um caso recente de um abuso que ocorreu há mais de 1 ano. Uma menina que era abusada pelo avô e pelo tio. Só agora a mãe descobriu o fato e veio até nós”.

 

Em relação a denúncias falsas, Priscila Bianchini não acredita que elas estejam impulsionando esses números em Bauru. “Temos alguns casos, porém, é uma proporção pequena”, complementa.

 

Realidade

 

Se os 26 casos em apenas dois meses assustam a população, a polícia explica que a realidade é ainda mais temerosa. É o que a delegada Priscila Bianchini denomina como “cifra negra”. “São as subnotificações. Os casos que ainda não chegam até nós”, completa.

 

Apesar de ela acreditar que os casos reais de estupro crescem na mesma medida que a população aumenta, ela esclarece que, mesmo com a coragem de denunciar crescendo, ainda há uma realidade bastante velada sob os números oficiais.

 

“Há os casos em que falta mesmo a coragem de denunciar. Existem também aquelas situações de estupros de vulneráveis que nem mesmo a família sabe”, complementa.

 

E a grande maioria dos crimes ocorre mesmo dentro de quatro paredes. “São casos que vítima e agressor são conhecidos. Até mesmo da mesma família. Não temos uma situação de um estuprador solto pelas ruas, por exemplo”, finaliza Priscila Bianchini.

 

Caso você seja vítima de abuso ou conheça algum caso, a denúncia pode ser feita no disque-denúncia no 100 ou 181; ou na Polícia Militar por meio do 190. 

Em todos os casos, o sigilo é garantido.

 

Criminalização da vítima

 

A polícia acredita ainda que uma mudança na sociedade esteja impulsionando as vítimas, principalmente mulheres, a denunciar. A delegada Priscila Bianchini acredita que está diminuindo a chamada “criminalização da vítima”.

 

“Está mudando isso. E tem que mudar mais. Uma mulher nunca pode ser responsabilizada após sofrer estupro. O modo como ela se veste nunca pode ser justificativa. Temos notado que isso está mudando e encoraja mais as vítimas a denunciar”, explica.

 

De dez indicadores criminais, dois caem

 

Puxados por um janeiro com índices acima do normal, conforme o JC publicou em matéria no mês passado, o primeiro bimestre bauruense continua mais violento que igual período de 2013.

 

Os dados divulgados ontem apontam que, de dez termômetros da criminalidade, apenas dois tiveram redução: furtos (15%) e lesões corporais (17,4%).

 

Todos os outros índices cresceram. Com quatro homicídios em fevereiro, a cidade chegou a 12 assassinatos, um aumento de 50% em relação ao ano passado. 

 

As tentativas de homicídio triplicaram: foram 18 no primeiro bimestre deste ano.

 

Outra “modalidade” que teve crescimento relevante foram os roubos (64,6%) - leia mais na página 19. Tanto o roubo quanto o furto de veículos também cresceu.