Bauru, 23 de março de 2014. 21h30. Paro o carro na quadra 12 da avenida Duque de Caxias devido ao semáforo estar vermelho. Enquanto espero, um motociclista passa rente ao meu veículo em alta velocidade e ultrapassa o sinal. Na garupa, estava uma criança que aparentava ter menos de 10 anos. O condutor nem ao menos olha para ver se algum veículo segue na rua que cruza a avenida. Ele ?ganha? alguns segundos e assume a responsabilidade em se arriscar com a criança.
Há duas semanas, enquanto trafegava pela rodovia Marechal Rondon, próximo à saída para a avenida Nações Unidas, reparo em duas jovens no canteiro central da rodovia. A intenção das pedestres era atravessar a pista em pleno horário de pico. No final do ano, viajei para Sorocaba e, durante a viagem, presenciei ultrapassagens arriscadas de dois caminhões em plena rodovia Castelo Branco. Parecia que ?disputavam? quem ultrapassava mais. O pior é que a rodovia é duplicada.
Outro caso que chama sempre a minha atenção é quando observo as pessoas que, sem ao menos pensar que podem acabar com vidas de inocentes, ingerem bebidas alcoólicas nos bares e restaurantes, e dirigem em seguida. A falta de consciência, irresponsabilidade em ter aqueles pensamentos como ?comigo não irá acontecer?, ? eu consigo dirigir embriagado?, fazem com que essas pessoas peguem a chave dos seus veículos e se arrisquem. Porém, no caminho, a imprudência pode tirar a vida de mais um inocente.
Essas cenas, infelizmente, se tornaram frequentes em nosso trânsito, em nossa sociedade. A imprudência pode ser encontrada em cada cruzamento das principais avenidas e rodovias. Além disso, esses atos não se limitam nas metrópoles, pois acontecem até mesmo nas pequenas cidades e, principalmente, nas rodovias de pista simples. Mas o perigo mesmo é que a imprudência não pode e não deve se tornar comum. Não pode se tornar intrínseca ao nosso cotidiano, aos nossos noticiários.
Este final de semana, Bauru e região registrou mais de 10 mortes em acidentes de trânsito tanto no perímetro urbano quanto nas rodovias. Entre as vítimas estão um menino de oito anos e uma jovem que estava grávida de nove meses. Pessoas que tiveram suas vidas fadadas pela embriaguez ao volante e falta de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de condutores irresponsáveis.
Muitos acreditam que nós, jornalistas, procuramos publicar os acidentes, homicídios e tragédias para gerar audiência, por sensacionalismo e vender jornal. Acreditam que gostamos de desgraças. Mas estão enganadas. Por dever de ofício e compromisso com as pessoas, precisamos ser o reflexo da sociedade e apresentar os acidentes como forma de discussão, reflexão e solução. Esse é nosso principal dever.
Após tantos mortos em apenas um final de semana e após noticiar tanta imprudência, o ato do motociclista na quadra 12 da Duque, na noite de domingo, me fez refletir sobre essas irresponsabilidades e me indaguei: até quando?
A autora é jornalista e redatora web do Jornal da Cidade de Bauru