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Renan Casal |
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Professora Camila Pegoraro faz o intermédio da nova pesquisa |
A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), por intermédio da professora do Departamento de Ciências Biológicas Camila de Oliveira Rodini Pegoraro, pretende trazer ao município uma pesquisa inovadora contra o câncer de cabeça e pescoço. O estudo visa identificar células-tronco cancerosas nessas regiões e desenvolver agentes químicos para eliminá-las do organismo.
De acordo com Camila, a pesquisa nesta área vem sendo desenvolvida pelo professor Ian Campbell Mackenzie, da Queen Mary University of London, em Londres, na Inglaterra, que é a escola mais antiga de medicina do País em questão.
Segundo ela, a comunidade científica chegou a consenso de que as células-tronco alteradas são responsáveis pela formação de tumores.
“Nos tecidos normais, existem as células-tronco responsáveis pela regeneração de células perdidas.
Porém, quando essas células-tronco são alteradas por problemas genéticos, como mutações, elas passam a se tornar tumorais. Então, elas formam tumores. Por isso, queremos acabar com essas células alteradas, porque acreditamos que elas são as raízes de todo o problema”, explica.
Segundo explica Camila, essas células-tronco cancerosas foram descobertas, inicialmente, em leucemia e em cânceres sólidos, como o de mama, colo-retal, próstata, além do de cabeça e pescoço, que é foco da pesquisa da professora.
“Hoje, a comunidade científica aceita a teoria das células-tronco como importante no desenvolvimento, na manutenção e na recorrência de todos os tumores”, complementa.
Continuidade
Em relação aos resultados da pesquisa, eles ainda não são concretos. Camila passou um tempo na Queen Mary University of London e chegou a identificar que um ácido, denominado retinóico, mudou o comportamento de células-tronco cancerosas capazes de formar metástase. “Esse ácido mudou um pouco o comportamento das células, mas não de uma forma tão significante. Foram mais estudos em laboratório, sem aplicar diretamente nos pacientes”, conta.
Com a proposta de dar continuidade ao estudo, Camila pretende trazê-lo à FOB por meio do incentivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na categoria de Jovens Pesquisadores.
Porém, a proposta da professora ainda está sob análise do órgão. “Por ser recém ingressa aqui na faculdade, eu posso me colocar nessa categoria, além de ser uma linha inovadora. A ideia é reproduzir os estudos do professor Ian na FOB. Tenho pedido verbas para a compra de equipamentos e para a remuneração dos alunos que estiverem envolvidos”, diz.
Camila defende que o estudo das células-tronco cancerosas mostra que o caminho para a cura ainda é longo, mas é eficiente.
“Se identificarmos a estrutura das células, conseguiremos identificar também os agentes químicos para eliminá-las. Com isso, saberemos a combinação exata de medicamentos ou de terapia para combater o câncer de cabeça e pescoço de forma efetiva”, conclui.
Encontro
Com o objetivo de consolidar a parceria científica entre a FOB e a Queen Mary University of London, a instituição local promoveu o “Encontro com pesquisadores da Queen Mary sobre câncer de cabeça e pescoço: células-tronco, inflamação e estresse” na última segunda-feira. O evento reuniu duzentos participantes de todo o Estado de São Paulo.
Pesquisadores da Queen Mary, Ian Campbell Mackenzie e Ania Korszun. Mackenzie, trabalha há dez anos com células-tronco cancerosas. A iniciativa que ele desenvolve agora é no sentido de eliminá-las por meio de agentes químicos para que, em última instância, chegue até a cura do câncer.
Ele se disse impressionado com as dependências da FOB e com hospital Centrinho/USP. “Estou bem entusiasmado em trabalhar em conjunto com a FOB”.
Já a linha de estudo de Ania, que é esposa de Ian, é um pouco diferente, mas ela acabou acompanhando o marido no evento e se interessou por parceria com a FOB em outro grupo de pesquisa, o Genoma do Câncer de Cabeça e Pescoço (Gencapo), coordenado pela professora Eloiza Tajara, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.