08 de julho de 2026
Polícia

Ao sair de UPA, mulher é estuprada

Vítor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Imagine procurar atendimento médico e, na volta para casa, ser estuprada por dois homens. É este o drama que uma dona de casa, de 34 anos, relata ter vivido na madrugada deSTA QUARTA-FEIRA (26)  após sair da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista. O caso ganha contornos ainda mais alarmantes, uma vez que a polícia não descarta que este crime esteja relacionado com outra denúncia de um possível estupro ocorrido na última segunda-feira (leia mais abaixo).

 

De acordo com a vítima (a identidade foi preservada pela reportagem), era por volta das 3h30 da madrugada quando ela voltava para sua casa após passar por atendimento médico na unidade. Segundo o boletim de ocorrência (BO), a dona de casa relata que foi abordada, nas proximidades da quadra 10 da rua Santos Dumont, por dois homens em um carro escuro com a traseira estendida.

 

A dona de casa teria sido rendida e empurrada para dentro do veículo. Ainda segundo o registro, a dupla a levou a um local ermo, onde o crime ocorreu. A vítima disse aos policiais que tanto o motorista quanto o outro homem que estava no automóvel a estupraram.

 

A Polícia Militar (PM) foi acionada e encontrou a mulher no cruzamento entre a rua José Bonifácio e a Silva Jardim. Lá, ela narrou todas as agressões e foi conduzida à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde o caso foi registrado.

 

Ela descreveu os criminosos como morenos e magros. Um deles seria barbudo e não teria os dentes da boca. A vítima, contudo, não consegui dar detalhes do carro, como o modelo e as placas.

 

A Polícia Civil requisitou exames no Instituto Médico Legal (IML) para confirmar a violência sexual.

 

Investigação

 

A delegada Priscila Bianchini, responsável pela divisão de crimes sexuais na Central de Polícia Judiciária (CPJ), explica que, ainda hoje, irá ouvir a versão da vítima. “Tentaremos, por meio desse depoimento, conseguir mais detalhes físicos dos indivíduos. Também mostraremos fotografias nosso banco de dados a ela para uma possível identificação”.

 

Em paralelo, os investigadores irão procurar possíveis testemunhas e imagens que possam ter sido capturadas por meio de câmeras de vigilância na região. “Nossa intenção é tentar identificar esses indivíduos e tirá-los das ruas o mais rápido possível”, finaliza a delegada.

 

Polícia não descarta relação entre este caso e o do Pque. Vista Alegre

 

Apesar de serem regiões distintas de Bauru e modos de ação também diferentes, as duas denúncias mais recentes envolvendo crimes sexuais na cidade podem ter alguma ligação. A peça em comum é a descrição de um dos suspeitos: um homem barbudo.

 

Conforme o JC divulgou, uma mulher de 33 anos aguardava o coletivo na quadra 2 da alameda das Acácias, no Parque Vista Alegre, quando sofreu tentativa de latrocínio na noite de segunda-feira. 

 

A vítima (cuja identidade foi preservada) foi jogada de um viaduto e estrangulada com um fio até desmaiar. Ao acordar, ela estava com a calcinha abaixada, o que levanta a hipótese de estupro. “O laudo desse caso deve ficar pronto em 15 dias”, explica a delegada Priscila Bianchini.

 

Justamente por conta de um homem barbudo estar envolvido em ambos os casos, a própria delegada não descarta a possibilidade de o agressor do PVA ser um dos envolvidos também no caso do Bela Vista. 

 

“A princípio, tratamos como coincidência. Mas não descartamos essa possibilidade. São tipos de casos que fogem da maioria dos estupros que temos. O que mais vemos aqui são casos que ocorrem em meio a familiares e conhecidos”. 

 

Prisão decretada

 

Neste crime do Parque Vista Alegre, ocorrido na última segunda-feira, a polícia já conseguiu chegar a um suspeito. A delegada revela que a Justiça já aceitou o pedido de prisão temporária por 30 dias do homem. Ele já é considerado foragido. Laudos são aguardados.

 

Números preocupam

 

Matéria veiculada nesta quarta-feira no JC revela que os casos de estupros cresceram consideravelmente no primeiro bimestre de 2014 em Bauru. A estatística da Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) aponta que foram 26 estupros em 2014. Já em janeiro e fevereiro do ano passado, foram computados apenas 14 casos, o que representa, este ano, um aumento de 85,7%. Em 2012, também de acordo com os dados oficiais do Estado, foram 16 registros de estupros na cidade.