08 de julho de 2026
Nacional

Cansada, Fifa quer devolver Mundial para países medalhões

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A Fifa já tem um perfil definido do país que deseja que vença a próxima disputa para sediar a Copa do Mundo: organizado, com dinheiro em caixa, sem grandes problemas de política externa e cuja escolha para receber o Mundial que não gere choques.


A reportagem apurou na última semana, em Zurique, com cartolas ligados à entidade, que tudo que ela mais quer para o Mundial de 2026 é ter alguma tranquilidade.


A avaliação é que quatro edições consecutivas de Copa foram entregues a países distantes do perfil ideal. E todas elas provocaram ou estão provocando graves desgastes.


A África do Sul-2010 conviveu com atrasos na entrega dos estádios, mesmo problema que se repete, com mais gravidade, no Brasil-2014. A Rússia, sede de 2018, está em conflito com a Ucrânia e enfrenta uma série de sanções de boa parte do Ocidente.


O Qatar, que recebe o Mundial em 2022, é um caso especial. Tem quase todos os tipos possíveis de problemas: investigação no FBI sobre compra de votos na eleição para ser sede, um número elevado de mortes de operários imigrantes e as altas temperaturas que fazem a Fifa cogitar adaptar o calendário do futebol mundial para encaixar uma Copa jogada fora dos meses usuais --junho e julho.


"Calma, um problema de cada vez. Vamos falar só de 2014 que já está bom", disse o presidente da Uefa e membro do comitê executivo da Fifa, Michel Platini, ao ser questionado sobre as questões que envolvem o Qatar.


O francês, provável candidato na eleição presidencial da entidade no ano que vem, não admite para jornalistas, mas é um dos líderes da corrente política de que os países mais desenvolvidos devem organizar a Copa.


Em 2026, quando o Mundial deve retornar à Europa, isso significaria uma vantagem para Inglaterra e Espanha, concorrentes em 2018, contra, por exemplo, Turquia.


A política de "menos dor de cabeça" poderia ainda prejudicar a candidatura conjunta de Argentina e Uruguai pela Copa de 2030, já que EUA, Japão, Coreia do Sul e Austrália mostraram interesse recente em receber a Copa.


Procurada pela reportagem, a Fifa não quis comentar a existência dessa tendência. Disse apenas que ainda não há data definida para o próximo processo seletivo de escolha de sede de Mundial.


Certo é que, a eleição do palco de 2026 já se dará com as novas regras da entidade, adotadas após as suspeitas de fraude do Qatar: todos os países afiliados vão votar, e não mais apenas os integrantes do comitê executivo.