11 de julho de 2026
Política

Deputado vê a economia como vital para eleição

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Isabela Ribeiro

Deputado federal Arnaldo Jardim: CPI da Petrobrás é inevitável à essa altura dos acontecimentos

Pesquisas de intenção de voto desenvolvidas por diversos institutos apontam a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno. No entanto, para o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS) – destaque da bancada de oposição ao governo, a condução da política econômica ao longo dos próximos meses é que vai definir o cenário eleitoral de outubro deste ano. Ele esteve em Bauru nesta quinta-feira (27) para a posse da nova diretoria do Sindicato dos Engenheiros.

 

Segundo o parlamentar, o quadro é nebuloso e pode ser agravado em curto prazo. Isso porque Dilma estaria mantendo a inflação dentro da meta de forma artificial, segurando o repasse aos consumidores dos custos da produção de energia e da aquisição de combustíveis. 

 

“Se o impacto do aumento do custo da energia chegasse à população, a variação do preço seria de 26% a 28%. No caso dos combustíveis, a Petrobrás está comprando por um valor e vendendo por muito menos, subsidiando o setor e deixando crescer seu nível de endividamento”, explica.

 

Jardim pontua que, sem o represamento dessas variações de preço, a inflação chegaria a 8%, ultrapassando o teto da meta, 6,5%. 

 

“Essa preocupação vem se arrastando e a presidente Dilma não conseguiu inverter o cenário, retomando o crescimento econômico. Na verdade, ela afrouxou o combate à inflação e não conseguiu ampliar o nível de investimentos. O resultado é o pior dos mundos”, opina o deputado, lembrando ainda o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poors, considerado pelos especialistas como um “sinal amarelo”.

 

Política

 

Arnaldo Jardim aponta ainda a fragilidade na articulação política do governo, escancarada pela mais recente crise instaurada junto à bancada do PMDB no Congresso Nacional. Em Brasília, é dado como certa a troca no Ministério das Relações Institucionais, órgão que atua nas relações do Planalto com os partidos aliados.

 

A catarinense Ideli Salvati (PT) deve ser substituída pelo de deputado paulista Ricardo Berzoini (PT). “Ele seria candidato à reeleição, mas teve que mudar de planos por conta do cenário. Está tudo muito agitado em Brasília”.

 

Além disso, o deputado classifica como inevitável a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobrás, apesar das pressões do governo para que deputados e senadores retirem as assinaturas de apoio à medida.

 

Nesta quinta, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) – contrário à CPI, declarou que a sua criação é praticamente irreversível. Para Jardim, as negociações sem critérios firmadas pela estatal, reveladas na semana passada, são apenas a ponta de um iceberg. “A Petrobrás diminuiu pela metade, mesmo com a aprovação do novo marco regulatório do Pré-Sal, que proporcionou a captação de R$ 100 bilhões em ações no mercado”.

 

#VoltaLula

 

O deputado federal Arnaldo Jardim detalha que a fragilidade econômica e política do governo Dilma Rousseff deu forçar para movimentos, ainda discretos, que pedem a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como candidato à Presidência da República em 2014.

 

“Isso está acontecendo tanto nos partidos aliados quanto dentro do PT. O movimento, por enquanto, é subterrâneo, mas crescente, e pode alterar o cenário, até então consolidado, no qual Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) despontam como candidatos”, avalia.

 

A conturbada relação do governo com o PMDB também pode  ser decisiva, de acordo com o parlamentar. “Eles devem estar na coligação, mas, em muitos estados, não estarão juntos”.

 

O Ibope divulgou que a aprovação à gestão Dilma Rousseff entre os brasileiros caiu de 43% para 36%, índice inferior ao do governo Lula no período pós-Mensalão, em 2006.

 

“Há seis meses, a sensação era de que Dilma levaria no primeiro turno. Há três, de que haveria segundo turno. E, hoje, é de que ela penará muito para ganhar”, finaliza Jardim.