08 de julho de 2026
Geral

Bauru discute genética e fluorose

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Todos sabemos que é importante usar creme dental com flúor e até fazer uma adição tópica do próprio elemento químico de tempos em tempos para evitar cáries. Amanhã, a Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) encerra workshop de quatro dias “Metabolismo do fluoreto e saúde pública”. 

 

A faculdade possui uma linha de estudo sobre a suscetibilidade genética e a fluorose - doença dentária que deixa os dentes com manchas e porosos. 

 

O flúor, na verdade, é o elemento químico íntegro, mas na nossa natureza encontramos apenas o fluoreto, que é o íon do flúor. Por isso, nas últimas décadas, os pesquisadores decidiram adotar a nomenclatura correta para se referirem às doenças dentárias causadas pelo excesso deste íon.

 

Dentre os principais assuntos e pesquisas apresentados pelos alunos dois se destacam, segundo a coordenadora do evento professora doutora Marília Afonso Rabelo Buzalaf: o fator genético que influencia na fluorose e a quantidade de fluoreto na água que estamos ingerindo, duas frentes trabalhadas pelas linhas de pesquisa da universidade.

 

Suscetibilidade

 

Um dos estudos mais recentes sobre o fluoreto é a suscetibilidade genética para a fluorose dentária. Segundo a professora doutora Marília Buzalaf, algumas pessoas parecem desenvolver a fluorose com mais facilidade.

 

“Se você dá a mesma quantidade de fluoreto para duas pessoas ingerirem, uma pode desenvolver fluorose e a outra não. Isso indica que tem outros fatores que interferem, além da quantidade de fluoreto, e um deles é a genética. Os trabalhos estão procurando saber como a genética pode explicar isso. Qual a proteína, qual gene que pode estar relacionada com essa suscetibilidade com a fluorose”, explicou.

 

A pesquisa é trabalhada em Bauru e também no Reino Unido usando população humana e camundongos.

 

Leite e sal

 

Em outros países, como o tratamento da água é feito de outra maneira, o complemento do fluoreto pode estar também em alguns alimentos, como o sal ou o leite, o que não acontece no Brasil, segundo a doutora Marília Buzalaf, da FOB/USP. 

 

“Outros países até discutem isso, mas têm um risco muito grande de ocorrer fluorose, porque a pessoa pode ingerir o fluoreto em maiores quantidades. Aqui no Brasil não temos o fluoreto no leite e no sal”, salientou. 

 

Quanto ingerir?

 

Desde 1974, o Brasil decidiu acrescentar o fluoreto como elemento químico no tratamento da água que chega às nossas casas. Segundo a doutora Marília Buzalaf, a concentração de fluoreto na água deve estar entre 0,6 e 0,8 miligramas por litro. Cada pessoa pode ingerir apenas 0,05 e 0,07 miligramas de fluoreto por quilo (de cada um).

 

Ou seja, ingerindo água da torneira, ou de purificadores, e escovando os dentes com creme dental com flúor e frequentando o dentista regularmente, você está protegido das cáries, dependendo também de sua suscetibilidade genética ao componente.

 

A fluorose causa defeitos no desenvolvimento do esmalte dentário, principalmente, até os 7 anos de idade. O dente fica com manchas brancas e poroso, podendo fraturar e desenvolver cáries. Os dentes com fluorose também podem ficar marrons devido a absorção de corantes.