Coibir abusos, dificultar e até inibir a ação de criminosos no campo. São esses alguns dos objetivos da chamada blitz de trânsito rural, que tem surpreendido moradores, visitantes e proprietários de chácaras e fazendas na região de Bauru nas últimas semanas.
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João Rosan |
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Soldados durante patrulhamento na zona rural de Bauru para aumentar a segurança nessas áreas |
Sob o comando do capitão Nilson César Pereira, que assumiu o comando da Polícia Militar (PM) Ambiental de Bauru em agosto do ano passado, as seis viaturas da companhia se dividem entre roteiros específicos realizando patrulhamentos e intervenções de trânsito, como forma de coibir crimes.
A medida integra a filosofia da nova gestão da Companhia da cidade, que tem apostado não mais somente no atendimento à denúncias de crimes ambientais, mas no patrulhamento preventivo e policiamento comunitário nos 350 quilômetros de estradas rurais do município e da região.
“Como o flagrante no campo é muito difícil, os bloqueios no auxiliam a autuar e até a tirar de circulação os infratores, que geralmente usam veículos furtados e irregulares para cometer os crimes. Isso acaba fazendo com que pessoas mal intencionadas voltem a atuar”, comenta o capitão.
Redução de roubos
A prática tem sido aplicada desde setembro do ano passado e, segundo a PM, já apresenta resultados positivos (veja mais no quadro).
Somente nos últimos cinco meses, 112 motoristas foram autuados pelos bloqueios da PM Ambiental na zona rural.
Além disso, com o início da ação da ação preventiva, até janeiro deste ano, a Companhia em questão já havia apreendido 89 armas ilegais, em blitz e em ações territoriais. O número representa um aumento de 83% se comparado ao semestre anterior às ações, quando foram apreendidos 15 armamentos.
“Conseguimos reduzir em até 20% os roubos e furtos em propriedades rurais com esse trabalho preventivo nos últimos meses. De agosto a dezembro não registramos nenhum roubo. Só tivemos dois em janeiro e as informações sobre os possíveis autores já estão sendo levantadas”, frisa o capitão Nilson.
A fala do comandante da PM Ambiental evidencia a mudança de foco na filosofia da Companhia em questão, que anteriormente priorizava patrulhamentos com vistas às denúncias ambientais (leia mais abaixo).
Agora, autua
Segundo ressalta o capitão, a Companhia de Bauru é a primeira das 17 do tipo existentes em todo o Estado a conseguir autorização para emitir autuações de trânsito.
“Somos pioneiros. Antes, o policial ambiental parava algum veículo suspeito em um sítio e não podia fazer nada. Agora, podemos autuar. Seja por licenciamento, habilitação, tudo que é da parte de trânsito. Para isso, tive que buscar autorização em São Paulo e do Detran (Departamento Estadual de Transito) e, até, conseguir talonários de autuações”, detalha o capitão.
Atuação
Atualmente, cada viatura da PM Ambiental realiza patrulhamento em uma área de aproximadamente 60 quilômetros por dia.
As operações de bloqueio seguem um roteiro, mas também atendem à demandas dirigidas. “Se aumentar o furto de gado em uma região, por exemplo, montaremos operações próprias naquela área para combater. Além da intensificação, também realizamos um levantamento criminal do caso”, diz o comandante Nilson.
A área da Companhia em questão abrange 39 municípios nas regiões entre Bauru, Jaú e Lins.
Os bloqueios têm ocorrido, principalmente, em estradas de acesso à condomínios na zona rural e podem acontecer a qualquer hora do dia.
“Vistoriamos o veículo e as pessoas. Como são sempre as mesmas equipes, os policiais acabam conhecendo os moradores e a região, o que facilita em muito o trabalho todo”, comenta o capitão da PM Ambiental.
“É a mesma ideia do policial comunitário. Não vamos abordar a mesma pessoa todos os dias”, completa.
‘Vai atenuar’
Os bloqueios da PM Ambiental surgem justamente como forma de impulsionar o programa Patrulha Rural da PM, existente há cerca de 7 anos em Bauru.
Até então, apenas uma viatura comum da corporação, que atende a área urbana, era responsável pelo policiamento preventivo e ostensivo na zona rural. Fato que gerava reclamações por parte da população e de entidades que representam a categoria.
“Apesar de toda boa vontade da Polícia Militar, o patrulhamento era precário e o sindicato recebia bastante reclamações. Chegamos a colaborar com reposição de peças para a viatura e cedemos até um celular para que, quando tivéssemos problemas, conseguíssemos acionar diretamente a viatura”, lembra o presidente do Sindicato Rural de Bauru e representante do Conselho Municipal de Segurança da Zona Rural, Maurício Lima Verde, acrescentando que há anos a entidade buscava apoio da PM Ambiental.
“Essa fiscalização, com certeza, vai atenuar muitos crimes. O pessoal se sente mais protegido, com o policiamento preventivo. Antes, falava-se em polícia Ambiental e só se pensava em multas por desmatamento...”, avalia Lima Verde.
O reforço também é visto de forma positiva pelo 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).
“Nossa ronda rural continua na ativa. Atuamos cada dia em uma região específica. O patrulhamento da Ambiental veio para acrescentar e trabalharmos de forma ainda mais integrada”, resume o subcomandante do 4º BPM-I, major Flávio Jun Kitazume.
'Mais policial que ambientalista'
Até agosto do ano passado, o foco da Companhia em questão era apenas ambiental. “O policial ia para o campo preocupado em cumprir na legislação ambiental, ou seja, situações ilegais de caça, pesca, desmatamento. Hoje, o policial se sente mais policial do que ambientalista, vai para o campo com a intenção de prevenir crimes. Estamos voltados para a questão criminal como um todo. Afinal, os furtos no campo acontecem por oportunidade e, com a prevenção forte, acabamos com isso”, afirma o comandante da PM Ambiental de Bauru, capitão Nilson Pereira, que assumiu o posto de comandante no final do ano passado.
PM Ambiental faz ‘levantamento’
Além do bloqueio de trânsito e da patrulha intensificada na área rural, a PM Ambiental afirma que deu início, em agosto de 2013, a uma espécie de levantamento qualitativo das ocorrências registradas, tanto pela PM quanto pela Central de Polícia Judiciária (CPJ).
“Toda vítima de furto ou roubo é visitada. Assim, levantamos informações e buscamos pistas que possam nos levar a prender os autores, além de aproximar a PM da comunidade rural”, comenta. “Antes, eram apenas números. Hoje, temos a intensão não só de saber quem foi, mas o modus operandi, visando aumentar ainda mais a prevenção”, finaliza o comandante do policiamento Ambiental.