No dia em que a oposição formalizou o pedido de criação da CPI da Petrobras no Senado, o Planalto orientou sua base aliada a propor a inclusão de “aditivos” no objeto de investigação da comissão que podem atingir o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos, os principais adversários da presidente Dilma na eleição deste ano.
A ideia é que, além da polêmica compra da refinaria de Pasadena, a CPI investigue também as suspeitas de formação de cartel e fraude à licitação de trens em São Paulo, que atinge os tucanos, e o porto de Suape, administrado por Campos). PSDB e PSB articularam a criação da CPI da Petrobras.
A estratégia foi definida em reunião com a presidente Dilma como alternativa à operação de retirada de assinaturas do requerimento protocolado hoje pela oposição, que conta com o apoio de 29 senadores, sendo oito de partidos da base aliada.
O governo ainda não desistiu de convencer seus aliados a desistirem da comissão, mas já reconhece que a operação tem poucas chances de dar certo. As pressões serão concentradas nos senadores Sérgio Petecão (PSD), Clésio Andrade (PMDB) e Eduardo Amorim (PSC).
A nova estratégia do Planalto foi colocada em prática ontem simultaneamente na Câmara e no Senado. A equipe presidencial diz que a tática é respaldada em precedentes no Congresso, como no caso da CPI das ONGs, na qual foram feitos aditivos ao objeto investigado.