11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Depois de altas seguidas, preços de serviços devem estabilizar em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de uma alta significativa nos últimos anos, o custo dos serviços deve parar de subir, conforme projeção de economistas e especialistas na área. 

 

A estabilização de preços é reflexo da desaceleração da demanda, após o “boom” de consumo verificado desde o início desta década.

 

Entre os principais setores em que os preços estagnaram está o da construção civil, que viveu no passado recente uma fase de superaquecimento, seguida pelo atual período de estabilidade. Nos demais segmentos, o freio na procura tem relação íntima com o endividamento da população, que, agora, tenta conter gastos para equilibrar as finanças.

 

“Do mesmo jeito em que, num curto espaço de tempo, houve supervalorização na área de prestação de serviços quando a economia estava aquecida, agora tendemos a seguir pelo caminho inverso”, adianta o economista Wagner Ismanhoto. Ele explica, no entanto, que ainda não há sobra de mão de obra, embora a demanda tenha arrefecido.

 

Por este motivo, os preços ainda não começaram a cair. “E pode ser que não caiam em alguns setores. No ramo automotivo, por exemplo, muitas pessoas que não tinham carro passaram a ter. A demanda por oficinas mecânicas e funilaria, portanto, tende a se manter estável pelos próximos anos, mesmo com a redução nas vendas de veículos”, frisa.

 

Da mesma forma, serviços como o de encanador e eletricista também não devem baixar tão rapidamente para o cidadão comum, embora já estejam sendo afetados pela diminuição de novas construções. O economista explica que, como são atividades que dificilmente podem ser dispensadas pelos consumidores, os profissionais devem continuar cobrando os mesmos preços, ao menos temporariamente. 

 

“Se um cano estourar, a pessoa não vai deixar de chamar um encanador. Mas quem presta serviços para empreendedores e construtoras vai deixar de ganhar o quanto ganhou em anos passados pela oferta menor de trabalho. E, lógico, isso poderá influenciar, num segundo momento, a redução dos valores cobrados para pessoas físicas”, pondera.

 

Queda...

 

Da mesma forma, o impacto tende a ser menos intenso em segmentos como saúde e educação. Já a prestação de serviços de beleza e estética, lavanderia e restaurantes – menos imprescindíveis - deverão manter os valores cobrados, sem expectativas de altas expressivas.

 

“São coisas que as pessoas podem deixar de fazer, ou elas próprias começarem a fazer. É uma tendência natural quando há uma elevação exacerbada de custos”, acrescenta o economista Mauro Gallo.

 

Assim como ele, Ismanhoto salienta que, embora a tendência seja de estabilização, os preços podem começar a cair caso a economia demorar a dar sinais claros de recuperação. “Afinal, o que rege o mercado é a lei de oferta e procura”, lembra o economista.

 

Construção Civil

 

Segundo economistas, o ramo da construção civil é um dos que mais devem ser impactados pela redução na demanda por serviços. Isso porque, após o “boom” imobiliário verificado nos últimos anos principalmente por conta do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, o mercado desacelerou – reduzindo, também, toda aquela necessidade de mão de obra.

 

Diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon) em Bauru, Renato Parreira destaca que, o setor vivenciou um momento extremamente produtivo entre 2010 e 2011, com crescimento anual entre 8% e 12%. Neste ano, no entanto, a expectativa é de que o desempenho fique em torno de 2% a 3%, o mesmo registrado no passado. 

 

“Há mais mão de obra disponível, até porque escolas como o Senai continuam formando novos profissionais para este mercado. Mas não estão sobrando profissionais e, portanto, o custo dos serviços continua o mesmo. Não há crise no setor”, frisa. 

 

Palavra de quem põe mão na massa

 

Pintor de imóveis residenciais, comerciais e industriais há 25 anos, Cícero Renato Ribeiro concorda com a análise dos especialistas e acredita que os preços, depois de uma alta significativa nos últimos anos, tendem, de fato, a se equilibrar.

 

“Não tenho do que reclamar, porque continuo sendo bem pago. Mas a demanda diminuiu um pouco, sim, e já tem colegas que estão trabalhando menos. Acredito que as pessoas estejam sem dinheiro, mas os valores continuam na média”, analisa.

 

Mais do que concordar com a tendência, o marido de aluguel Ary Condota afirma que os preços já começaram a cair em seu segmento, que presta serviços de instalação elétrica e hidráulica, entre outros. Ele relata que, habitualmente, a demanda cai no final e início de ano, por conta das festas e, em seguida, dos compromissos financeiros com tributos, dívidas e aquisição de material escolar dos filhos.

 

“É uma época de baixa, em que a gente costuma reduzir os preços em cerca de 30% porque as pessoas ficam sem dinheiro. Mas, em 2014, por conta da Copa do Mundo, a paradeira deve continuar até o final do ano e não vamos conseguir aumentar os valores novamente”, analisa.

 

Já o chaveiro Nobuo Sato avalia que a tendência é de que os preços continuem em alta no seu segmento, principalmente se os combustíveis continuarem subindo. “É o principal gasto que eu tenho. Dependendo da distância, o gasto aumenta. Matéria prima também subiu”.