O tratamento de esgoto foi por muito tempo o espinho na garganta dos prefeitos. Serviu de bandeira e promessas em muitas eleições, mas não saía do papel. O motivo alegado era sempre a falta de recursos financeiros. A ‘ficha’ dos administradores caiu quando as empresas privadas passaram a não instalar suas filiais em municípios que não tratavam o esgoto. A partir daí, eles correram atrás e, através do Programa Água Limpa do governo do Estado, estão conseguindo construir estações de tratamento de esgoto.
Quem mais agradece são os córregos e rios da região que estão recebendo toneladas de carga orgânica. Com as novas estações de tratamento, algumas com previsão de entrar em funcionamento ainda este ano, o Rio Tietê e Batalha, especialmente ficarão menos poluídos.
De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), são sete cidades da nossa região que já estão com o projeto licenciado e com prazo de entrega da estação de tratamento. São elas: Agudos, Barra Bonita, Borebi, Itapuí, Paulistânia, Pirajuí e Reginópolis.
Em Barra Bonita, a estação de tratamento está na segunda fase. Emissários estão sendo construídos e o prazo de julho deste ano está mantido. Atualmente o munícipio trata somente 15% de sua carga orgânica em lagoas de decantação.
Na cidade de Agudos, a construção da estação de tratamento teve início em abril de 2013 e faz parte do pacote de 16 obras para ampliação dos sistemas de esgoto na região de Botucatu. O investimento compreende quatro unidades de bombeamento.
Borebi aguarda o começo da obra que irá beneficiar os 2.100 moradores. Atualmente a cidade conta com três lagoas de decantação, porém, elas estão saturadas e a carga orgânica é lançada praticamente in natura em córregos que cortam o município. O tratamento foi projetado para atender por 30 anos a cidade, que nesse período poderá ter 2.500 habitantes.
Itapuí terá uma estação de tratamento do tipo compacta e projetada para beneficiar 15 mil habitantes. O município considera que é uma megaobra, já que o custo atingirá os R$ 8 milhões. A previsão de entrega é em 2015.
No próximo mês deverão ter início as obras da estação de tratamento na cidade de Reginópolis. Com capacidade para atender até 10 mil habitantes, terá um custo de R$ 3,5 milhões e é compacta.
B. Bonita faz emissários de captação
Aestação de tratamento de esgoto de Barra Bonita teve início em 2010/11 e deverá ser concluída em julho deste ano. As obras estão em andamento e no final contabilizará um custo de R$ 13,5 milhões. Vai captar 100% da carga orgânica do município.
O diretor de gestão ambiental e obras, Antonio Bestana Neto explica que a obra está na segunda etapa. “A previsão de julho deste ano está mantida. Estamos usando uma verba que foi liberada pelo governo do estado, através Programa Água Limpa, no valor de R$ 12 milhões, para execução. Estamos na fase de construção do emissário de captação do córrego da Estiva que vai captar o esgoto de outra parte da cidade.”
O emissário principal já está pronto e vai captar o esgoto do centro e dos bairros em torno. “A estação elevatória está pronta. Este que está sendo construído é o segundo emissário que vai captar o esgoto de outro divisor, os outros bairros que ainda não estavam beneficiados.”
Neto lembra que 15% do esgoto da cidade ainda é tratado pelo sistema de lagos de decantação. “Usamos esse sistema de tratamento que não trata os 100%. Com a estação vamos lançar a carga orgânica no córrego da Estiva e no Barra Bonita, ambos deságuam no Tietê, todo tratado.”
O tratamento de esgoto foi dimensionado para atender 60 mil habitantes, projeção para o futuro. “Hoje Barra Bonita tem 36 mil habitantes. Vai tratar até 170 litros de esgoto por segundo. É a capacidade máxima. A estação está sendo instalada no bairro Ponte Alta.”
Em Itapuí
A estação de tratamento de esgoto em Itapuí foi projetada para atender 15 mil moradores, número de habitantes que a cidade deverá atingir em 2030. É do tipo compacta e estará instalada no local onde durante muito tempo foi o matadouro, explica o engenheiro do município, Lourival Mazoti.
“Neste local está concentrado todo o esgoto produzido pela cidade. A previsão de entrega da obra é dezembro de 2015. As obras serão realizadas pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e integram o programa Água Limpa.”
O convênio que proporcionará o repasse já foi assinado. “O repasse é de R$ 8,6 milhões que viabilizarão a construção da ETE”. Em recente entrevista o prefeito José Eduardo Amantini destacou que a cada R$ 1,00 investido em saneamento básico, o Estado economiza R$ 2,00 na Saúde.”
Estação de tratamento de Borebi foi projetada para demanda de 30 anos
A cidade de Borebi tem hoje 2.100 moradores. Figura como uma das menores da região. Todo o esgoto produzido pelos moradores é despejado praticamente in natura no Córrego das Antas e no final chega ao Rio Tietê.
A chefe do planejamento do município, Mariana Guerreiro Kuninari, explica que no município há três lagoas de estabilização, porém, como estão em situação precária, praticamente não funcionam. No lugar dessas três lagoas será inserida a estação de bombeamento, que vai levar a estação final onde o esgoto será tratado. Atualmente, praticamente não existe tratamento nenhum.”
A estação terá capacidade para atender quatro toneladas por mês de carga orgânica. “Será tratado 100% do esgoto produzido no município. Ela está projetada para 30 anos. Eles fizeram uma projeção de que a população vai aumentar de 2.100 habitantes para 2.500.”
A instalação da Estação de Tratamento já tem local definido. “Vai ser instalada nas proximidades da Rodovia da Amizade, que faz a ligação de Agudos com Borebi. É uma área de dois alqueires. Além da estação, há três emissários que farão a coleta de esgoto do município e levarão para a estação de bombeamento. As três linhas de emissário medem 162 metros.”
Kuninari lembra que o convênio com o Programa Água Limpa foi celebrado em agosto de 2013. “O convênio tem prazo de 36 meses de vigência. Nos dois primeiros meses eles realizaram a licitação, que foi feita por regiões em toda a bacia do Tietê. A empresa ganhou em vários municípios e tem prazo de um ano para executar o serviço. Ainda não está contando o prazo. Estamos aguardando a ordem de serviço do DAEE. Só depois disso podemos começar a execução da obra.”
RECURSOS
Ela explica que o custo da estação é de R$ 3,6 milhões. “Os recursos virão da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos. Ela faz o repasse do valor e quem executa a licitação e o acompanhamento técnico é o DAEE.”
Para a chefe do Planejamento, tratar o esgoto dará novo impulso para o município. “Vai ajudar muito. Eleva a expectativa de vida e beneficia a saúde. Até para uma empresa se instalar na cidade será mais fácil, porque a Cetesb exige o tratamento de esgoto.”
Em Reginópolis, obra da unidade ‘compacta’ deve começar em abril
No próximo mês deverá ter início a construção da estação de esgoto da cidade de Reginópolis. Do tipo compacta, ela tratará 100% da carga orgânica do município até que ele atinja o dobro de moradores, muito possivelmente em 30 anos.
Projetada para 10 mil habitantes, a obra tem custo em torno de R$ 3,5 milhões. Os recursos são estaduais através do Programa Água Limpa, com custo zero para o município, enfatiza o engenheiro municipal Nadir Navarro Dias de Freitas.
“O local já foi escolhido, será no prolongamento da rua padre Jeremias, próximo da cidade. Como não é o sistema de lagoas de decantação, não causa cheiro. Fica perto do córrego Água da Corredeira, que deságua no Rio Batalha.”
A previsão é de que em 12 meses a estação esteja pronta. “A obra deve começar em abril e em 12 meses deverá estar em funcionamento. Foi projetada para 10 mil habitantes, atualmente a cidade tem cinco mil. É a maior obra dos últimos 50 anos.”
O município comemora a instalação. “Estamos ansiosos para tratar o esgoto da cidade. Vai beneficiar o meio ambiente em primeiro lugar. Depois, vai influenciar na saúde e na qualidade de vida dos moradores. Muitas empresas deixam de se instalar nas cidades que não apresentam tratamento de esgoto. Nós não conseguimos nem aprovar loteamento.”
Agudos deve concluir obra este ano
Em Agudos, as obras referentes à segunda etapa do sistema de esgotos sanitários começaram em abril de 2013 e seguem dentro do prazo contratual, com previsão de término em dezembro deste ano. As informações são da assessoria de imprensa da Sabesp. Segundo o órgão, cerca de 30% do total do empreendimento já foi realizado, e no momento há 10 frentes de trabalho em andamento.
A obra compreende quatro unidades de bombeamento, 9,7 quilômetros de coletores- tronco, uma estação de tratamento de esgoto, 1,3 quilômetros de rede coletora, 1,73 quilômetros de linha de recalque, 243 novas ligações prediais, além de travessias aéreas e em rodovia e ferrovia. O valor do investimento é de R$ 23 milhões, informa a Sabesp.
Atualmente, toda a carga orgânica do município é lançada in natura em córregos da bacia do Rio Bauru e Rio Lençóis, o que pode comprometer, futuramente, o abastecimento de água do município de Lençóis Paulista, adverte o secretário do Meio Ambiente de Agudos, Luiz Aleixo.
“O prejuízo maior é a contaminação do Rio Lençóis. A carga orgânica ainda é pequena, não temos o volume que está sob concessão da Sabesp, mas parte do nosso esgoto é lançado na nascente do Rio Lençóis. Em Agudos a água para abastecimento é coletada no subterrâneo. Se precisarmos pegar água na parte superficial, ela está toda contaminada.”
Ele alerta que todos os córregos e rios do município estão contaminados por esgoto, exceto o Batalha e o Rio Turvo que são protegidos pela serra de Agudos. “A carga orgânica é lançada em três córregos, contaminado especialmente as nascentes do Rio Bauru e Lençóis.”
Para entender melhor, o especialista explica que 90% da carga orgânica é lançada in natura no Ribeirão Grande, que pertence à bacia do Rio Bauru, 5% no córrego Taperão, que tem uma das nascentes do Rio Lençóis que abastece aquela cidade, e os outros 5% são lançados no Ribeirão dos Bugres. “As lagoas de decantação estão sendo construídas no bairro Sertãozinho, no córrego Serraria. A área pertencia à Duratex.”
Contrato
O prefeito da cidade, Everton Octaviani, frisa que o município entrou com uma ação a fim de que a Sabesp cumprisse o contrato. “O tratamento de esgoto deveria ter sido feito há mais de 10 anos. Faz parte do contrato de concessão com a Sabesp. Impetramos uma ação para fazer com que eles cumprissem.”
A diretora do departamento jurídico do município, Nelma Aparecida Carlos de Medeiros, explicou que a concessão à Sabesp data de 1997. “A conclusão da estação de tratamento de esgoto estava prevista para 1999. O prazo foi prorrogado para 2002 e, como eles não cumpriram, em 2003 ajuizamos uma ação pedindo o cumprimento do contrato de concessão.”
Segundo a Sabesp, o sistema da estação que está em obras em Agudos terá capacidade para tratar 112,4 litros de esgoto por segundo e beneficiará 41 mil habitantes na região, além de contribuir diretamente para a despoluição dos Córregos dos Agudos e Ribeirão Grande.