11 de julho de 2026
Geral

Calvície: mulheres estão por um fio

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Todas as mulheres se preocupam com aquele que é conhecido como a moldura do rosto, até o último fio de cabelo, não é mesmo? Mas afinal, por que as mulheres estão todas por um fio, e agora aterrorizadas com a ideia de ficarem calvas e perdem o sono quando tufos de cabelo começam a cair seja no travesseiro, no banho, ou na hora de penteá-los?

Antes esse tormento só acometia os homens e é descrito pela literatura desde que o homem é homem, ou seja a figura masculina sempre foi a portadora da capacidade de ficar “careca”. Mas, para as mulheres começou a ser um terror maior a partir do uso das químicas e do aparecimento de uma doença moderna: o estresse.

Para elas é doença diagnosticada mais recentemente. E acomete todos os tipos de cabelo - seja curto, longo, médio, repicado, reto, liso, ondulado ou crespo.

 

Hormônios e tireoide

A causa mais frequente da alopecia feminina, mais conhecida como calvície, é proveniente de distúrbios hormonais ou na tireoide. A genética é outro fator que contribui para a queda de cabelo. Se a avó ou bisavó morreram quase carequinhas, a neta ou bisneta tem grande chance disso.

Além disso, o nosso organismo somatiza problemas, portanto, o estresse, a ansiedade e a depressão também são responsáveis pela perda dos fios. Ainda é necessário ficar atenta às carências nutricionais causadas pelas dietas, pois a deficiência de nutrientes como proteínas, ferro, vitaminas do complexo B e sais minerais também acarretam no enfraquecimento dos fios. Quem gosta de uma química, precisa ficar atenta também, pois excesso de tintura, progressivas e alisamentos também podem danificar o cabelo.

 

Terror masculino

Carecas, animem-se! Por essas e outras é que o homem, que vê na popular  careca uma fonte de terror, pode respirar aliviado. “De todas as cirurgias plásticas, uma das que mais em se desenvolvido nos últimos anos é a do tratamento da calvície”, lembra o cirurgião bauruense  João Gabriele, ele também especialista em transplante capilar. Embora seja um procedimento cirúrgico descrito na história da Medicina, há quase um século, é o que mais  passou por evolução nas últimas décadas.

E ele explica o que aconteceu: “Houve um entendimento da fisiologia do crescimento do cabelo, onde o preparo do cabelo passou a ser realizado sob microscopia com equipamento de tal precisão que nos permite atingir a menor, a mínima estrutura capilar”.

Qual é o resultado disso? “Vamos implantar de forma natural, tal qual o cabelo nasce. A técnica inclui a retirada de uma faixa de cabelo da nuca e com um instrumento chamado Folicular Unit Extraction (FUE) que retira o cabelo individualmente. Mas e se a pessoa já tiver perdido o cabelo todo, inclusive da nuca? “Pode-se retirar de outras regiões, até mesmo da barba, por exemplo, potencializando assim a quantidade de cabelos a serem implantados em um única sessão”. No final, o cabelo volta a crescer e é o próprio cabelo da pessoa.


Boa notícia

A boa notícia é que a calvície feminina tem jeito e há tratamentos que são capazes de solucionar este problema. Entre os tratamentos, está a técnica de microtransplante capilar, criada por Carlos Uebel, cirurgião plástico coordenador do XV Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, realizado recentemente em São Paulo. “O procedimento consiste na retirada de bulbos capilares da região da nuca. Após isso, esses bulbos são embebidos em uma solução ativada de plasma concentrado com células tronco, que estimulam o crescimento dos fios. Depois de serem estimulados esses fios são implantados, um a um, no paciente, na região calva”, afirma o especialista. O microtransplante é realizado utilizando anestesia local e o procedimento dura cerca de 3 ou 4 horas. O cabelo inicia seu crescimento após três ou quatro meses. O resultado final é atingido no 10º mês.


Caso médico

Só para ilustrar, o cirurgião João Gabriele lembra que “a evolução é tão grande que hoje existe nos Estados Unidos um robô chamado Artas, que auxilia o cirurgião na hora do transplante capilar”. Só que esse robô ainda não está disponível no Brasil. Mas outras técnicas estão e, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica recomenda antes de tudo a consulta a bons profissionais. Quando o problema é sério e há antecedentes na família, o caso é de consultar um médico, um especialista mesmo e, não apenas um cabeleireiro por mais confiável que seja o profissional. E menos ainda sair comprando produtos que prometem milagres (desses anunciados em sites ou canais de venda pela televisão). Alguns podem até agravar o problema, sabia?