Quase 70% dos brasileiros afirmam que querem mudanças no País. Avaliamos que a grande maioria é alheia aos problemas políticos e egoístas no sentido de ser ou não incomodado ou afetado por medidas governamentais. O brasileiro, como regra, não tem visão sistêmica da política e como as medidas afetam o coletivo. Entretanto, a maioria começa a perceber que o atual modelo não tem mais futuro, ou seja, esgotou.
A inflação passou a incomodar e os preços administrados estão controlados, ou seja, se tivéssemos preços corretos de energia e combustível a inflação estaria em 7,3%. A qualidade do emprego está se deteriorando. Com a queda da participação da indústria na formação do PIB, existe grande perda salarial qualitativa, além das perdas de valores industriais voltados para a inovação, criação, competitividade e inserção do Brasil numa economia global.
O jovem, hoje, sonha com o trabalho público, que garante estabilidade, tranquilidade e bons salários. Pergunta-se: esta tendência é boa para o País a longo prazo? Além disso, cresce a quantidade de jovens que não procuram mais emprego, ou seja, não querem trabalhar. Empreender, então, é loucura. Possuir empresa no Brasil virou ação de alto risco, porque é tanta lei, regra e resoluções de difícil adaptação nas empresas, que tornam a atividade empresarial uma missão desgastante e pouco atrativa economicamente.
Enquanto isso, o governo aprova o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) aplicado, agora, para todas as obras públicas. Este regime foi criado em 2011 para as obras da Copa do Mundo de futebol. Agora, vale para tudo, ou seja, estão institucionalizados a corrupção, a roubalheira, o jeitinho brasileiro de superfaturar, etc. Outra marca deste governo é a sua fraca equipe de trabalho, cuja competência para fazer acontecer é mínima. A própria gestora líder que sempre quis passar uma imagem de administradora e entendida de tudo, percebe-se agora que é péssima em áreas estratégicas que ela tem experiência, como energia e petróleo.
O Mais Médicos é outra vergonha porque atacaram o efeito e não cuidaram da causa, ou seja, a origem do problema. Além do obscuro acordo com Cuba. E os acordos com países africanos, cujas dívidas foram perdoadas? Temos sérios riscos de apagão elétrico. As obras da Copa estão atrasadas e discutimos, ainda, quem vai pagar certas contas. As contas públicas, investimentos e juros são fatores que só pioram. O PIB, com otimismo, atingirá outros 2% em 2014. E as contas que começaremos a pagar a partir de 2015?
Portanto, aproveitando a queda da popularidade da presidente, vamos engrossar o coro da mudança completa, ou seja, chega de Dilma e chega de PT. E não venham com o "Volta Lula" que eu acho que não pega.
O autor, Ricardo Coube, é engenheiro e empresário