11 de julho de 2026
Nacional

Oposição fará coleta de assinaturas na Câmara para instalar CPI mista

Por Gabriela Guerreiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A oposição vai recomeçar a coleta de assinaturas na Câmara para instalar CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista da Petrobras, com deputados e senadores.

Os oposicionistas decidiram não pressionar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a instalar a CPI apenas no Senado para que as investigações possam envolver também a Câmara.

Deputados e senadores do DEM e PSDB acreditam que terão até amanhã as 171 assinaturas necessárias na Câmara. Por isso, consideram desnecessário cobrar que Renan crie a comissão apenas do Senado porque a prioridade dos oposicionistas é a CPI mista.

"Seria uma energia gasta impunemente. É mais eficiente uma CPI mista. De que adianta você pressionar o presidente do Senado se estamos em vias de conseguir a comissão mista?", questionou o presidente do DEM, senador José Agripino (RN).

Inicialmente, senadores do PSDB e DEM tinham prometido fazer sucessivos discursos na sessão da tarde de hoje para pedir que Renan lesse o requerimento criando a CPI do Senado. Mas agora avaliam que, com a participação dos deputados, terão mais "poder de fogo" para atacar a presidente Dilma Rousseff em ano eleitoral por isso priorizam a comissão mista.

"Isso é em respeito aos deputados que querem participar das investigações", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Apesar de deixar a CPI do Senado em "banho maria", os oposicionistas afirmam que não vão desistir da sua instalação se a comissão mista não vigorar.

A oposição já tinha conseguido 190 assinaturas na Câmara para a CPI mista, recolhida pelo PPS. Mas o foco das investigações é diferente do apresentado na CPI do Senado pelo PSDB, por isso os congressistas vão recomeçar a coleta de assinaturas para que, nas duas Casas, a comissão de inquérito tenha o mesmo objeto.

A CPI mista quer investigar a compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras, além do suposto superfaturamento de refinarias, irregularidades em plataformas e a suspeita de que empresa holandesa pagou propina a funcionários da estatal. A previsão é que dure 180 dias se for instalada.

"Vamos fazer um único pedido para evitar questionamentos. CPI é sempre positiva nesse caso para arrombarmos essa caixa preta. A CPI tem o peso político maior se for do Congresso", disse o líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP).

O Congresso tem sessão marcada no dia 15 de abril, quando seria lida a CPI da Petrobras. Mesmo reconhecendo que a comissão com deputados e senadores vai demorar mais tempo para ser instalada, a oposição está disposta a focar na mista - já que a comissão unicamente do Senado poderia ser criada logo após a leitura do pedido por Renan, o que deveria ocorrer até amanhã.

Objeto

A oposição também decidiu, em reunião hoje de manhã, recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) se o PT e partidos aliados do Palácio do Planalto apresentarem pedido para ampliar o foco das investigações da CPI da Petrobras.

Os governistas querem que a comissão investigue temas que desgastam o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE), prováveis adversários da presidente Dilma Rousseff nas eleições de outubro.

Embora os governistas afirmem que a extinta CPI dos Bingos incluiu temas diversos em suas investigações, o que teria criado jurisprudência para o caso atual, a oposição diz que isso só ocorreu porque houve acordo entre todos os líderes partidários - o que não se repete no caso da CPI da Petrobras.

"Não pode se juntar jacaré com cachorro, é uma coisa inadmissível. Isso seria acabar com o instituto da CPI no Congresso", afirmou Aloysio Nunes.

Os governistas querem incluir na CPI da Petrobras o caso do cartel de metrô, que envolve gestões do PSDB em São Paulo, eventuais irregularidades da CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais), que também atingiriam o governo do PSDB, e suspeitas envolvendo o Porto de Suape, controlado pelo PSB.

O governo diz que a CPI da Petrobras vai virar palanque para a corrida eleitoral pelo Planalto e teme que a CPI abale a imagem de boa gestora da presidente, uma de suas principais vitrines.