08 de julho de 2026
Nacional

Manobra do governo adia a CPI


| Tempo de leitura: 1 min

Duas manobras conduzidas pelo governo no plenário do Senado ontem adiaram em pelo menos um dia a possível criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na Petrobras e criaram condições regimentais para a instalação de uma investigação muito mais ampla.

 

A primeira manobra do governo foi uma questão de ordem apresentada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) questionando se o requerimento tinha “um fato determinado”, uma das exigências para a abertura de CPIs. Ela argumentou que o pedido trazia fatos desconexos, tendo apenas em comum a Petrobras.

 

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu a questão de ordem e informou que dará uma resposta amanhã, adiando a criação da CPI da Petrobras. Após a decisão, o governo deu início à sua segunda manobra política para pressionar a oposição.

 

O senador Humberto Costa (PT-PE) apresentou à Mesa Diretora um requerimento para a criação de uma CPI que investigue os contratos de manutenção e aquisições de trens e metrôs, firmados no Estado de São Paulo e no Distrito Federal, que seriam alvo de um cartel de empresas e as transferências de recursos federais para Estados e municípios para projetos de tecnologia de informação.

 

O pedido protocolado com a assinatura de 31 senadores, mais do que as 27 necessárias, foi lido no plenário e pegou a oposição de surpresa. “Querem matar a CPI da Petrobras. É isso”, reagiu o líder do PSDB no plenário, Aloysio Nunes Ferreira (SP). Em seguida, ele apresentou uma questão de ordem semelhante à de Gleisi, argumentando que não havia “fato determinado para a criação” da CPI proposta pelo governo. Renan também disse que responderá o questionamento amanhã.