A Rússia fez um alerta à Ucrânia nesta terça-feira (1) contra a integração com a Otan, afirmando que tentativas anteriores de Kiev de aproximar-se do bloco prejudicaram os laços com Moscou e provocaram problemas entre o governo russo e a aliança militar.
“(Tentativas anteriores) levaram ao congelamento dos contatos políticos russos-ucranianos, a dores de cabeça entre Otan e Rússia... e a divisões da sociedade ucraniana”, disse o Ministério das Relações Exteriores russo, ao mesmo tempo em que chanceleres dos países-membros da Otan se reuniam em Bruxelas.
O governo russo alertou que os futuros laços econômicos entre Moscou e Kiev “vão depender profundamente das ações que a Ucrânia tomar em sua política externa”.
Acordo com Otan
O Parlamento da Ucrânia aprovou ontem uma lei que autoriza o treinamento de tropas ucranianas com países da Otan em seu território. Cerca de 7.000 militares devem participar desses exercícios, previstos para maio e outubro deste ano em diversas regiões do país, inclusive no mar Negro.
Segundo Mikhail Koval, ministro da Defesa interino ucraniano, deverão ser treinadas operações humanitárias, de busca e resgate em terra e mar, de defesa de Estado e de paz e segurança.
A aprovação coincidiu com um encontro dos 28 países-membros da Otan em Bruxelas, o primeiro desde a anexação da Crimeia pela Rússia, no mês passado.
Na reunião, a Otan decidiu ratificar formalmente a decisão, tomada no início de março, de suspender toda a cooperação “prática”, civil e militar com a Rússia. No entanto, a Aliança ainda manterá canais diplomáticos com autoridades de Moscou, segundo o secretário-geral da Otan, Anders Rasmussen.
Além disso, a Rússia continuará participando de um programa de cooperação no Afeganistão de combate ao narcotráfico. As relações da Otan com a Rússia serão reavaliadas na próxima reunião do grupo, em junho.
Também foi decidido nesta terça-feira, segundo fontes da Efe e da CNN, que a Otan irá elaborar em caráter de urgência medidas para intensificar a defesa coletiva no leste da Europa, como a movimentação e o reforço de efetivos militares. Também estão sendo consideradas a revisão dos exercícios de formação de curto prazo e a atualização e revisão de planos militares.