08 de julho de 2026
Articulistas

Democracia e educação

Wellington Anselmo Martins
| Tempo de leitura: 2 min

O ser humano é egoísta. Mas o ser humano é um ser gregário. Por isso, apesar de egoístas, os homens querem viver em sociedade uns com os outros. Mas, porque são egoístas, querem se aproveitar uns dos outros. E, para evitar tal injustiça e violência, então os homens criam entre si e para si algo forte o suficiente para mediar e regular as suas relações: o Estado.

O Estado deve pacificar as relações entre os homens, de modo a beneficiá-los individualmente quando possível ao mesmo tempo em que busca controlar o natural egoísmo/violência dos homens. O Estado, claro, não teria poder nenhum se não pudesse usar de violência contra os homens a fim de controlá-los. Por isso, o Estado, criado pelos próprios homens, cria soldados também de seus próprios homens.

A missão de tais soldados (a serviço do Estado, este que está a serviço da sociedade) não é outro senão buscar beneficiar os homens individualmente enquanto procura reprimir os seus excessos egoístas e criminosos, conforme a lei vigente no momento.

Todavia, se esses soldados violentarem a sociedade, perdem a sua razão básica de existir. E o Estado que existe justamente para a promoção da paz entre os homens se torna, paradoxalmente, a causa da violência contra eles. Este é, infelizmente, um processo histórico muito comum.

Porém, nada de concreto foi feito para regular a sociedade melhor do que o Estado, especialmente se for um Estado democrático. Não existem grandes sociedades sem Estado que as regule politicamente. Ou seja, por isso, a sociedade não tem alternativas concretas. Então, cabe somente a ela própria, a sociedade, regular o seu órgão regulador! Cabe somente ao próprio povo perceber, refletir, criticar e modelar a forma e a ação do seu próprio Estado. Mas este povo não terá competência para tanto se, acaso, não possuir educação para a política. Isto é, há um ciclo social necessário entre: homem, homens, sociedade, Estado, leis, soldados, repressão, abusos, crítica popular (consciente), reformas no Estado, melhoria das leis, novos soldados, repressão, abusos... e o ciclo continua.

Enfim: sozinho o homem não existe. Juntos, sem leis, os homens se tornam predadores. Sem Estado, é guerra de todos contra todos. Com Estado, há necessariamente leis e soldados. Com Estado, mas sem educação, facilmente se torna ditadura. Com Estado e com educação, a violência é bem amenizada; apesar de jamais ser erradicada.

Ou seja, apesar das falhas e limitações, nada de melhor foi concretizado politicamente até este momento da história do que um Estado democrático e um povo consciente. Por isso, por ora, não há nada de mais pertinente e socialmente justo do que isso para se defender: um Estado democrático e um povo politicamente consciente! Eis uma bandeira pela qual lutar.

O autor é professor, colunista político