A defesa dos 15 policiais militares acusados por oito mortes no massacre do Carandiru usou boa parte das duas horas destinadas à tréplica, na tarde deste quarta-feira (2), para ler e comentar pareceres de procuradores de Justiça que apontariam falhas na acusação do Ministério Público.
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Foto/Agência ABr |
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Nesta fase, estão sendo julgados 15 policiais militares do COE |
Nesta fase, estão sendo julgados 15 policiais militares do COE (Comando de Operações Especiais) que atuaram no terceiro andar do pavilhão 9, em outubro de 1992.
O advogado dos réus, Celso Vendramini, destacou trechos dos documentos que apontavam a necessidade da entrada dos PMs na prisão para conter a rebelião, pois havia risco do motim se alastrar e já não havia possibilidade de negociação com os presos.
"Aqueles homens, que deveriam ser homenageados por ter tido a coragem de entrar lá, estão sentados no banco dos réus", disse o advogado, ao elogiar os PMs que "enfrentaram as agressões dos detentos".
A defesa reiterou a tese de que não é possível identificar a autoria de cada morte. Em tom menos duro que no julgamento anterior, mas ainda tentando impressionar os jurados, Vendramini chegou a dizer que atos injustos retornam para aqueles que os cometerem.
"Não pensem que irão escapar da lei do carma", afirmou o advogado aos jurados, para o caso de eles optarem pela condenação. "Existe uma Justiça divina acima desta", disse.
"Revanchismo"
A defesa voltou a dizer que o revanchismo e ódio por militares, resquício da época da ditadura militar, não devem influenciar as decisões dos sete jurados.
Por volta das 15h20, o juiz Rodrigo Tellini encerrou o debate e encaminhou os jurados para a sala secreta, onde eles deverão responder cerca de 600 questões que irão condenar ou absolver os policiais. A sentença deve ser anunciada nesta noite.
Devido ao grande número de réus e de vítimas, o julgamento está sendo feito em etapas, conforme os andares do antigo prédio da Casa de Detenção. Ao todo já foram condenados 58 PMs pelas mortes ocorridas no primeiro, segundo e quarto andares. Eles recorrem em liberdade.