08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Heróis anônimos


| Tempo de leitura: 2 min

Como faço sempre quando tem um filme bom em cartaz, fui com minha filha no sábado dia 29 assistir a "12 Anos de Escravidão", na sessão das 21h, no Alameda Quality Center. É um ótimo filme que recomendo a todos. Não é a toa que ganhou o Oscar de melhor filme. Era por volta das 23h quando saímos a caminho da nossa casa. Trafegando pela marginal da rodovia, na altura da transportadora Brass Press, tive uma surpresa desagradável: meu carro passou por um buraco causado pelas chuvas na saída para a rodovia.

Continuei rodando na rodovia achando que estava tudo bem, mas teria que parar logo adiante próximo a uma empresa de transportes coletivos, pois devido ao impacto o pneu do meu carro furou. E olha que foi um furo grande.

Parei no acostamento e desci para verificar o tamanho do estrago enquanto minha filha permanecia dentro do carro. No escuro, já desesperada com a situação, olhei para um barranco que dá acesso à marginal dessa rodovia e lá estava um senhor bêbado tentando escalar esse barranco em nossa direção.

Minha primeira reação foi ligar para meu filho que mora na Vila Dutra pedindo ajuda. Ele me pediu calma e que ficasse trancada dentro do carro até a sua chegada. Não tinha como ficar calma, pois sabia que ele não chegaria em menos de 15 minutos. Entrei dentro do carro e travei as portas. Nesse momento vi um carro parando logo na nossa frente. Um jovem senhor desceu e novamente fiquei preocupada. Foi quando ele falou que estava ali para ajudar e fiquei um pouco mais tranquilia.

Fui logo informando sobre o senhor que tentava escalar o barranco em nossa direção. Ele, sem temer, foi em direção a esse senhor perguntando em tom bem alto o que ele queria. O senhor, percebendo a sua presença, recuou. Na sequência, trocou rapidamente o pneu do carro e ficou conosco até a chegada do meu filho.

Agradecemos e ele foi embora sem se identificar. Nesse momento meu filho disse que o conhecia. Que ele era o vereador Markinho da Diversidade e também proprietário de uma casa noturna naquela região. Peço a publicação desta minha carta como forma de agradecimento a um herói que nesse caso quase se passou por anônimo.

Agradeço de coração, em nome da minha família, pela bravura, simpatia e principalmente pela solidariedade de ajudar alguém sem esperar nada em troca. Pessoas assim infelizmente estão em extinção.

E, para finalizar, deixo a seguinte mensagem para o senhor: se quis passar por despercebido, não conseguiu, agora esse episódio será conhecido por milhares de pessoas. Muito obrigado e que Deus te abençoe na sua jornada.

Patrícia Costa ? aposentada