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Quioshi Goto |
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Douglas Gois e a filha Maria Luiza, de 2 anos, com febre: “Merecemos isso?” |
O que está por trás das recorrentes filas de pequenos pacientes no Pronto-Atendimento Infantil (PAI)? Para o vendedor Douglas Gois, de 22 anos, um sistema de saúde pública que não funciona. O jovem pai fala com conhecimento de causa por ter buscado, sem sucesso, atendimento médico à sua filha Maria Luiza Castro Gois, de 2 anos. Desde terça-feira, ela apresentava como sintomas garganta inflamada, febre e vômito.
Em diversas entrevistas, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, já disse: o Pronto Atendimento deve atender casos de urgência e emergência. Outras situações – como a de Maria Luiza – precisam ser suportadas pela rede de saúde básica. O pai bem que tentou: há três dias, quando apareceram os primeiros sintomas, ele levou a filha à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bela Vista, bairro onde moram.
No entanto, entre os pacientes previamente agendados para aquele dia, nenhum desistiu. Sem encaixe, o vendedor foi informado que o posto só conseguiria marcar uma consulta para Maria Luíza para daqui a dois meses.
Antes de recorrer ao PAI, Douglas procurou também a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região – uma das quatro inauguradas recentemente pelo governo municipal. Lá, porém, soube que o novo e equipado prédio, sem pediatras, não atende crianças. “Trazer no PAI foi minha última opção porque a febre não baixa”.
Douglas quase se arrependeu. Chegou à unidade às 12h50 de ontem e esperou por quase cinco horas até que a filha fosse, finalmente, atendida. Na tarde de ontem, três médicos davam expediente no local.
Condições
A unidade sequer tem banheiro próprio para os pequenos, que precisam utilizar os do Pronto-Socorro Central (PSC), dividindo o espaço com doentes adultos.
“Olha a minha situação. Ou deixo minha filha de 2 anos ir ao banheiro sozinha ou a levo no banheiro masculino. Beber água também é impossível. Só tem um bebedouro com água quente. A gente merece isso?”
30 minutos
Foi protocolado ontem pelo vereador Roberval Sakai o projeto de lei que estabelece o tempo máximo de 30 minutos para que pacientes sejam atendidos por médicos na rede de urgência e emergência do município, que abrange o Pronto-Socorro Central (PSC), o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
A proposta já tem forte rejeição entre os demais parlamentares e foi alvo de duras críticas do secretário de Saúde, Fernando Monti.
Vereador quer imagens do PAI, fichas e nomes
O caos no Pronto Atendimento Infantil (PAI) nas noites de 26 de março e de 2 de abril foi registrado pelo Jornal da Cidade. Na primeira ocasião, a espera de crianças por uma consulta médica chegou a seis horas. O episódio provocou ainda conflito entre o vereador Roberval Sakai (PP) e o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), Luiz Antonio Bertozo Sabbag.
O responsável pela unidade alegou que quatro médicos trabalhavam naquele dia. O parlamentar, no entanto, garante que entrou nos consultórios e havia apenas um profissional atendendo.
Para sanar a dúvida, ele solicitou, ontem, as fichas de atendimento, os nomes dos médicos que estavam trabalham, as fichas de ponto e as imagens de circuito interno do PAI, das 13h às 23h, dos dias 26 de março e 2 de abril.
Coordenador do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC), Ricardo Barbosa diz que, na próxima semana, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Bauru) mediará reunião junto à Promotoria e à Vara da Infância e da Juventude para discutir os recorrentes problemas no PAI.
Ponto...
No ano passado, Barbosa denunciou que médicos da unidade batiam ponto eletrônico, mas não cumpriam as jornadas de trabalho. Tanto a Secretaria Municipal de Saúde quando à Comissão de Saúde do Legislativo arquivaram o caso. O Ministério Público (MP), contudo, mantém inquérito de investigação.