08 de julho de 2026
Regional

Explosões mudam rotina de caixas eletrônicos

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Em três meses, 12 cidades da região foram vítimas de explosões a caixas eletrônicos. Em Iacanga (50 quilômetros de Bauru), como medida de segurança pontual, os terminais de autoatendimento de uma agência do Banco do Brasil estão abrindo das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira, e permanecendo fechados aos finais de semana, o que tornou-se transtorno para a população. O Banco Bradesco já estuda adotar a mesma medida.

 

O vereador de Iacanga, Rafael Sedemak (PV), também é comerciante na cidade. Ele aponta que, com a restrição, imposta desde o dia 24 de março deste ano, fica difícil fazer depósitos durante a semana. “Sou comerciante e isso dificulta muito para nós. Não consigo fazer depósitos e as pessoas também não conseguem sacar dinheiro para realizar suas compras no nosso comércio”, criticou.

 

Sedemak ainda aponta o potencial turístico do município que está sendo prejudicado com essa mudança. “Nós sempre recebemos pessoas de fora na cidade. Por exemplo, agora nós teremos o tradicional rodeio, um público de aproximadamente 5 mil pessoas que não terão acesso ao Banco do Brasil. E as pessoas que trabalham o dia todo? Como movimentarão a renda do município com seu salário?”, acrescentou.

 

Divulgação

Exlosão danificou dois caixas eletrônicos em Ubirajara que permanecem quebrados

 

Quebrando regras

 

A solução para quem trabalha o dia todo é “quebrar regras”, como a auxiliar de estoque Márcia Graciano, 48 anos. A sua jornada é das 7h às 16h48 com uma hora de almoço, mas ela não consegue ir ao banco durante esse intervalo. Quando termina mais um dia de serviço, o banco já não emite  mais as cédulas. Ela não encontrou outra solução: passou o cartão do banco e a senha para uma pessoa “de confiança” realizar os saques.

 

“Não tem como eu sair no meu horário de almoço para fazer isso. Quando chego ao banco, os caixas já não estão mais emitindo o dinheiro. Conta eu até consigo pagar, mas não posso ficar sem o dinheiro, então eu deixei o meu cartão e a senha para uma pessoa de confiança fazer os saques para mim. Estou quebrando uma medida de segurança, mas não tem outro jeito. Se os saques pudessem ser feitos até as 20h, já ajudava”, opinou Márcia.

 

‘Pendura pra mim?’

 

O advogado José Carlos Peres Júnior, 23 anos, mora em Bauru mas é natural de Iacanga, onde seus pais ainda residem. No último final de semana ele foi até sua cidade natal sem dinheiro na carteira, já que em Bauru só usa o cartão de débito.

 

“Aqui em Bauru eu estou acostumado a usar só o cartão de débito. Cheguei a Iacanga no último final de semana e fui até o caixa eletrônico. Fiquei surpreso quando vi o aviso. Como a cidade é pequena, quase nenhum estabelecimento aceita cartão. Neste caso, alguns aceitam pendurar a conta, mas é muito complicado”, relatou o advogado.

 

Medida de segurança

 

Desde 21 de janeiro deste ano, 12 cidades foram alvo de ataques a caixas eletrônicos na região, conforme levantamento extraoficial. Entre as agências atingidas estão: Banco do Brasil, Bradesco e Santander. O JC entrou em contato com as assessorias de comunicação das três instituições financeiras. O Banco do Brasil pretende adotar a medida em outras cidades pontualmente. Já o Bradesco informou que também estuda adotar a medida de segurança. Apenas o Santander permanece funcionando normalmente.

 

Em recuperação

 

A população de Ubirajara continua sofrendo com a ação dos criminosos que explodiram dois caixas eletrônicos do Banco do Brasil no dia 21 de março. O autoatendimento não voltou a funcionar. Uma estudante de 20 anos, que pediu sigilo da identidade, afirmou que teve que delegar à sua mãe a tarefa de pagar as contas. “Está horrível. Toda vez que tento pagar as contas nos caixas comuns, a fila é imensa”. O Banco do Brasil informou que a instituição financeira “está efetuando a contratação de empresa” para consertar os caixas.