|
Divulgação |
|
|
|
Mayara Maia chorou porque gostava do cabelo, mas quis doar |
Que fazer o bem pelo próximo é um gesto de amor, todos sabemos. Mas quando isso influencia na vaidade de cada um, prova que a iniciativa é muito mais profunda do que imaginamos. É assim o projeto Corte da Alegria. Só ontem, 215 pessoas passaram pela escola para doar dez centímetros de cabelo à Organização Não-Governamental (ONG) Cabelegria, de São Paulo.
O objetivo é reunir toda essa cabeleira para fazer perucas. O destino: pacientes que sofrem com o câncer.
O ato ganha ainda mais simbolismo, uma vez que, hoje, é comemorado o Dia Mundial de Combate à doença (leia mais abaixo).
Com o slogan “Para ser feliz, faça alguém feliz”, as estudantes Júlia Piante, Gabriela Fontes, Nayra Oliveira, Maria Alícia Correa e Fernanda Monteiro, transformaram o Colégio Athena (organizador) em um grande salão de cabeleireiro comunitário.
Oito cabeleireiras voluntárias, cadeiras profissionais e espelhos emprestados, receberam centenas de pessoas dispostas a ajudar ontem. A jovem Ágatha Christal Ruiz, 17 anos, aluna do terceiro ano do ensino médio, tinha o cabelo pouco acima da cintura, mas a intenção de ajudar falou mais alto.
“A minha irmã teve linfoma, ficou careca durante o tratamento e a peruca fez muita diferença na superação”, contou, emocionada.
Luta
Nathanie Thainá Ruiz, 22 anos, é irmã de Ágatha. Ela relatou à reportagem que descobriu o linfoma um dia antes de completar 20 anos. “Eu descobri porque vi um caroço no pescoço. Eu tinha duas alternativas: lutar ou lutar. Cheguei a comprar uma peruca, mas preferi fazer maquiagem e usar lenços. Até imitei o Marcelo Tas. Sonhava toda a noite que eu estava prendendo o cabelo, era uma sensação horrível”, disse.
Por sorte, o linfoma de Nathanie não era do tipo mais severo e, depois de seis meses de tratamento, ela estava curada.
“Faz dois anos que eu fiz a minha última ‘químio’. Foram muitos meses lidando com os tipos de cabelo: curto, moicano, até ficar careca. Agora tenho cabelo de novo”, contou, sorrindo e mostrando os novos cabelos que nasceram após o tratamento.
Peruca
Uma das fundadoras da ONG Cabelegria, Mariana Robrahn, 24 anos, esclarece que, para fazer uma peruca, é preciso 200 gramas de cabelo. “Nós conseguimos produzir de três a quatro perucas por semana. Quem quiser receber as perucas, basta entrar em contato pela página do Facebook “Cabelegria”. Por meio da fan page, as organizadoras explicarão o processo de entrega.
Incentivo fraterno
Ainda assustada após cortar dez centímetros do cabelo, Ana Carolina Geraldo da Cruz, 29 anos, contou que foi incentivada pelo seu irmão, João, de 9 anos, a doar o seu cabelo.
“Ele estuda aqui no colégio e me pediu que doasse. Além disso, tenho um filho de 4 anos, o Murilo. Nem pensei no cabelo, mas sim nas crianças. Ainda estou me acostumando porque meu cabelo era muito grande, mas doaria de novo, com certeza”.
|
Éder Azevedo |
|
|
|
Escola foi transformada em salão e, para ajudar, mais de 200 mulheres doaram mechas ontem |