08 de julho de 2026
Geral

60 metros de cabelo e solidariedade

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Divulgação

Mayara Maia chorou porque gostava do cabelo, mas quis doar

Que fazer o bem pelo próximo é um gesto de amor, todos sabemos. Mas quando isso influencia na vaidade de cada um, prova que a iniciativa é muito mais profunda do que imaginamos. É assim o projeto Corte da Alegria. Só ontem, 215 pessoas passaram pela escola para doar dez centímetros de cabelo à Organização Não-Governamental (ONG) Cabelegria, de São Paulo.

O objetivo é reunir toda essa cabeleira para fazer perucas. O destino: pacientes que sofrem com o câncer.

O ato ganha ainda mais simbolismo, uma vez que, hoje, é comemorado o Dia Mundial de Combate à doença (leia mais abaixo).

Com o slogan “Para ser feliz, faça alguém feliz”, as estudantes Júlia Piante, Gabriela Fontes, Nayra Oliveira, Maria Alícia Correa e Fernanda Monteiro, transformaram o Colégio Athena (organizador) em um grande salão de cabeleireiro comunitário.

Oito cabeleireiras voluntárias, cadeiras profissionais e espelhos emprestados, receberam centenas de pessoas dispostas a ajudar ontem. A jovem Ágatha Christal Ruiz, 17 anos, aluna do terceiro ano do ensino médio, tinha o cabelo pouco acima da cintura, mas a intenção de ajudar falou mais alto.

“A minha irmã teve linfoma, ficou careca durante o tratamento e a peruca fez muita diferença na superação”, contou, emocionada.

Luta

Nathanie Thainá Ruiz, 22 anos, é irmã de Ágatha. Ela relatou à reportagem que descobriu o linfoma um dia antes de completar 20 anos. “Eu descobri porque vi um caroço no pescoço. Eu tinha duas alternativas: lutar ou lutar. Cheguei a comprar uma peruca, mas preferi fazer maquiagem e usar lenços. Até imitei o Marcelo Tas. Sonhava toda a noite que eu estava prendendo o cabelo, era uma sensação horrível”, disse.

Por sorte, o linfoma de Nathanie não era do tipo mais severo e, depois de seis meses de tratamento, ela estava curada.

“Faz dois anos que eu fiz a minha última ‘químio’. Foram muitos meses lidando com os tipos de cabelo: curto, moicano, até ficar careca. Agora tenho cabelo de novo”, contou, sorrindo e mostrando os novos cabelos que nasceram após o tratamento.


Peruca

Uma das fundadoras da ONG Cabelegria, Mariana Robrahn, 24 anos, esclarece que, para fazer uma peruca, é preciso 200 gramas de cabelo. “Nós conseguimos produzir de três a quatro perucas por semana. Quem quiser receber as perucas, basta entrar em contato pela página do Facebook “Cabelegria”. Por meio da fan page, as organizadoras explicarão o processo de entrega.


Incentivo fraterno

Ainda assustada após cortar dez centímetros do cabelo, Ana Carolina Geraldo da Cruz, 29 anos, contou que foi incentivada pelo seu irmão, João, de 9 anos, a doar o seu cabelo.

“Ele estuda aqui no colégio e me pediu que doasse. Além disso, tenho um filho de 4 anos, o Murilo. Nem pensei no cabelo, mas sim nas crianças. Ainda estou me acostumando porque meu cabelo era muito grande, mas doaria de novo, com certeza”.

 

Éder Azevedo

Escola foi transformada em salão e, para ajudar, mais de 200 mulheres doaram mechas ontem