09 de julho de 2026
Internacional

Maduro aceita diálogo com oposição

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse ontem que aceitou proposta dos chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) para se reunir hoje com representantes da oposição.

“Tivemos uma conversa bastante extensa, e eles me propuseram que me reunisse com uma delegação da oposição. Aceitei, assim como há oito semanas venho convocando a um diálogo político, pela paz e pela democracia”, disse Maduro após seu encontro com os chanceleres.

Os ministros de Relações Exteriores da Unasul, incluindo o brasileiro Luiz Fernando Figueiredo, voltaram ontem a Caracas para tentar mediar conversas entre governo e oposição, em meio aos conflitos que, desde fevereiro, já mataram ao menos 39 no país.

Não está claro quem da oposição participará da reunião com o presidente nem se o encontro incluirá María Corina Machado, deputada cassada em decisão sumária e apenas com os votos de governistas no Parlamento.

Corina perdeu o mandato em 26 de março, alegadamente por ter aceitado o cargo de representante suplente do Panamá para discursar à OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre a situação do país - o que acabou não acontecendo, já que a OEA retirou o assunto da sua pauta.

Ontem os ministros da Unasul se reuniram também com os líderes da MUD, a principal coalizão oposicionista venezuelana. Até agora, o encontro ainda não terminara.


Lopez faz convocação

Preso sob acusação de incitar a violência, o líder oposicionista Leopoldo López convocou, a partir da prisão militar de Ramo Verde, uma mobilização geral contra o governo, em carta publicada pelo jornal espanhol “El País”.

“Sair desta crise que afundou a Venezuela na penumbra depende de todos; de que cada um, onde nos cabe, demonstre que está disposto a lutar”, afirmou. Ex-prefeito de Chacao, ele convocou seus seguidores a “demonstrar quantos somos os que desejamos uma mudança”.

López entregou-se à Justiça em 18 de fevereiro e está preso desde então. “O fato de minha prisão contribuir em alguma medida para despertar os venezuelanos vale a pena”, disse na carta.

Sequestro

A jornalista Nairobi Pinto, do canal privado venezuelano Globovisión, foi sequestrada anteontem à tarde na porta de casa por homens encapuzados e armados, segundo seu pai, Luis Pinto.

Até ontem os criminosos não haviam contatado a família, e não estava claro se foi crime comum ou retaliação ao trabalho de Nairobi.

Anteontem, duas pessoas ligadas a oposicionistas venezuelanos, Luis Daniel Gómez e Gustavo Giménez, foram mortas. Gómez era amigo de infância de Leopoldo López. Também não está claro se os crimes tiveram motivação política.