09 de julho de 2026
Internacional

Manifestantes pró-Moscou proclamam república separatista

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Manifestantes pró-Moscou no leste da Ucrânia apreenderam armas em uma cidade e declararam uma república separatista em outra, ações que Kiev descreveu ontem como parte de um plano orquestrado pela Rússia para justificar uma invasão e desmembrar o país.

O governo ucraniano disse que a ocupação durante a noite de edifícios públicos em três cidades da região leste da Ucrânia, a maioria centros industriais de língua russa, é uma repetição dos eventos na Crimeia, península do mar Negro ocupada e anexada por Moscou no mês passado.

“Um plano anti-ucraniano está sendo colocado em operação... segundo o qual tropas estrangeiras vão atravessar a fronteira e ocupar territórios do país”, disse o primeiro-ministro Arseny Yatseniuk em declarações públicas para seu gabinete. “Nós não vamos permitir isso.”

Manifestantes pró-Rússia ocuparam edifícios em públicos em Kharkiv, Luhansk e Donetsk na noite de domingo, exigindo que referendos sejam realizados sobre a anexação à Rússia, como o que precedeu a aquisição da Crimeia por Moscou. O presidente interino Oleksander Turchinov, em um discurso televisionado à nação, disse que Moscou estava tentando reproduzir “o cenário Crimeia”. Ele adicionou que “medidas antiterroristas” serão tomadas contra aqueles que pegarem em armas.

A polícia informou que havia retirado os manifestantes do prédio em Kharkiv, mas que em Luhansk, os manifestantes haviam apreendido armas.

Em Donetsk, reduto do presidente deposto apoiado por Moscou Viktor Yanukovich, cerca de 120 ativistas pró-Rússia ocuparam a Câmara da assembleia regional.

Um homem não identificado leu “o ato da proclamação de um estado independente, a República do Povo de Donetsk “ diante de uma bandeira russa. “No caso de uma ação agressiva das autoridades ilegítimas de Kiev, vamos apelar para a Federação Russa trazer um contingente de paz”, declarou.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou no dia 1 de março, que Moscou tinha o direito de proteger os cidadãos de língua russa na Ucrânia, após a queda de Yanukovich, criando o maior confronto entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria. Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções financeiras leves.

O ministro da Justiça ucraniano, Arsen Avakov, disse na segunda-feira o principal prédio da administração regional em Kharkiv estava livre de “separatistas”. Nove pessoas ficaram feridas nos distúrbios em Luhansk.

Diferentemente da Crimeia, onde os russos étnicos formam uma maioria, a maioria das pessoas no leste e sul são ucranianas, mas falam o russo como primeira língua. Empresários influentes em regiões orientais estão apoiando o governo em Kiev, e os conflitos vão testar sua capacidade de exercer o controle.