09 de julho de 2026
Nacional

Ex-presidente pede fim da ?boataria?

Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-presidente Lula reiterou ontem que não será candidato na eleição presidencial de 2014, em entrevista a blogueiros realizada no Instituto Lula, em São Paulo. “Não sou candidato. Gostaria que vocês contribuíssem para acabar com essa boataria. A Dilma é a minha candidata”, afirmou Lula ainda antes de serem feitas as primeiras perguntas, na coletiva transmitida ao vivo pela Internet.

Em meio à queda na aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff e perda de terreno na disputa eleitoral, segundo as últimas pesquisas, o nome de Lula voltou a ser cotado.

Quando aparece em cenários nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente continua demonstrando musculatura para ser eleito no primeiro turno se fosse candidato, o que tem reforçado os rumores do “volta Lula”.

Os números da pesquisa mais recente, feita na semana passada e divulgada pelo instituto Datafolha no sábado, mostraram que se Lula fosse o candidato petista, 52% dos entrevistados votariam nele. Com Dilma candidata, o percentual ficou em 38%, ante 44% de pesquisa feita em fevereiro.


CPI DA PETROBRAS

Na entrevista, Lula afirmou ainda que o PT deve “ir para cima” para lidar com as recentes suspeitas levantadas sobre a atuação da Petrobras, que se torna alvo recorrente em período eleitoral, segundo o ex-presidente.           


FHC rebate Lula

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) rebateu ontem as afirmações de Lula de que a oposição está usando a crise envolvendo a Petrobras como bandeira política. “Ao contrário do que o Lula está dizendo, (a oposição) não deve usar como bandeira política. É uma coisa de interesse nacional. Tem que buscar os fatos e corrigi-los”, afirmou Fernando Henrique.

O ex-presidente fez críticas à política energética, ao defender a investigação da compra da Refinaria de Pasadena. “Seguraram o preço da gasolina, arrebentaram com o etanol. Temos problemas com a eletricidade. A Petrobras perdeu valor. Por alguma razão terá acontecido isso. Não me refiro só ao aspecto dramático da corrupção, pelo que parece”, afirmou.


Economia

O ex-presidente Lula afirmou ontem que a economia do Brasil “poderia estar melhor” e que, durante sua campanha à reeleição, a presidente Dilma Rousseff terá que “dizer claramente como a gente vai melhorar a economia brasileira”.

Segundo Lula, o governo do PT gerou emprego com melhoria de salário e inflação dentro da média. “A inflação em 5,9% é muito, queria em 2% (ao ano), mas temos que pensar nela quando era 80% ao mês. Não era ao ano, era ao mês”, explicou.

Pesquisa realizada pelo Datafolha mostra que o medo da inflação é generalizado e atinge pessoas de todos os níveis de escolaridade, em todas as faixas de renda e em todas as regiões do Brasil. Quanto mais rico e escolarizado o eleitor, maior foi o aumento do medo.


Mensalão ‘apoteótico’

O ex-presidente Lula voltou a comentar o julgamento do mensalão. Lula disse ontem que a imprensa teve um papel de condenação explícita antes de cada sessão. “Nunca vi nada igual. O massacre era apoteótico”, afirmou. O PT, como partido, depositou a esperança na briga jurídica na questão do mensalão, afirmou.

O petista comparou o tratamento dado à ação penal 470 ao processo conhecido como “mensalão mineiro”, que tem ligações a lideranças do PSDB, como Eduardo Azeredo, que renunciou ao mandato de senador para cuidar da defesa. Questionado se tinha arrependimento pela indicação de Joaquim Barbosa ao Supremo Tribunal Federal, devido à atuação do ministro no julgamento do processo do mensalão, Lula respondeu que não.