09 de julho de 2026
Nacional

SP: sem-teto dizem que só sairão de ocupações com garantia de governos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Os sem-teto que invadiram 20 prédios e terrenos na cidade de São Paulo no último final de semana disseram que não vão sair das áreas ocupadas sem que os governos municipal, estadual e federal deem garantias formais de que atenderão aos pedidos dos movimentos de moradia.

Os três grupos responsáveis pela ocupação simultânea entre a sexta-feira passada e ontem são ligados ao PT, mesmo partido do prefeito Fernando Haddad. Os grupos articulam uma reunião com o secretário de Governo, Chico Macena, para negociar uma possível saída dos locais, mediante o atendimento de alguns pleitos.

Da prefeitura, os movimentos exigem maior agilidade nas desapropriações de áreas para essas moradias. Também querem que a Câmara aprove a revisão do Plano Diretor, que prevê a ampliação das áreas para habitação popular --Zeis (zonas de interesse social).

Do Estado, pedem que haja parceria com entidades comunitárias. Do governo federal, que aumente de R$ 1.600 para R$ 2.000 o limite da renda familiar para a faixa de beneficiários que têm subsídios maiores da União nos projetos do Minha Casa, Minha Vida.

Até a noite desta terça-feira (9), todas as áreas --quatro delas pertencentes à prefeitura-- seguiam invadidas. São terrenos e edifícios que pertencem à Cohab e à Secretaria Municipal da Habitação.

"Não vamos sair enquanto não tivermos um posicionamento de todos [os governos]", disse Raimundo Bonfim, coordenador da CMP (Central de Movimentos Populares). Segundo ele, as ocupações somam cerca de 4.000 pessoas.

Hoje, os sem-teto da CMP, da Frente de Luta por Moradia e União dos Movimentos de Moradia tiveram reuniões com integrantes do CDHU e com o presidente da Câmara, José Américo (PT). Também se reuniram com integrantes do Ministério das Cidades, em Brasília.

As ocupações acontecem no momento e que Haddad fez uma série de concessões aos sem-teto, que pressionam o prefeito desde os primeiros dias de mandato. De 2013 para cá, Haddad assinou 81 decretos de interesse social (que reserva terrenos para habitações populares). A Secretaria de Habitação é comandada pelo PP de Paulo Maluf, aliança que os movimentos de moradia são contra.

Movimento

Nesta terça, a reportagem visitou ocupações pela cidade e constatou que algumas delas continuam recebendo moradores.

É o caso de um imóvel na rua Líbero Badaró, na Sé. À tarde, a coordenadora Patrícia Lopes, 40, ajudava os novos ocupantes a acomodarem seus pertences. Um casal foi orientado a procurar outro prédio. "As pessoas estão trazendo seus móveis para cá", disse Patrícia.

Já no terreno da rua Cônego Vicente Miguel, na Barra Funda (zona oeste), o movimento é contrário.Segundo o coordenador da ocupação, Elzo Gama da Silva, 42, o acampamento está em revezamento. Por volta das 16h30, cerca de 20 pessoas se aglomeravam na entrada do local, que pertence à SPTrans (empresa municipal de transporte).

Uma delas, a aposentada Cícera Costa, 65, afirmou que iria voltar para a casa de um parente onde estava hospedada. "Por causa da minha saúde, eu não tenho condições de ficar aqui. Preciso ir para casa descansar", contou.