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João Rosan |
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Na avenida José Vicente Aiello, motorista do carro é obrigado a desviar para não atingir carroça; trânsito no local é perigoso |
A avenida José Vicente Aiello, nas imediações do Cemitério do Ipê e Lago Sul, pode ser considerada uma das vias com vistas mais belas de Bauru. Quem passa por lá desfruta de natureza abundante e muito verde. Por trás da beleza, contudo, escondem-se atos de imprudência de motoristas. O mais recente foi registrado no último dia 29 e deixou uma pessoa ferida.
A reportagem do JC percorreu o local e flagrou carros trafegando com velocidade acima do permitido. Em um dos pontos, mais perigo: uma carroça seguia na direção oposta, surpreendendo os motoristas que se aproximavam, principalmente nas curvas.
Por sinal, animais perambulando pela José Vicente Aiello passaram a ser uma cena comum próximo ao Lago Sul.
O jornalista Gilmar Dias mora no residencial. Histórias dos riscos que passa diariamente não faltam. Ele contou ter tido que frear para evitar dois atropelamentos distintos. “Recentemente, quase atingi um veado que cruzava a pista. Poucos dias depois, fui surpreendido por uma capivara”, relata.
Em julho do ano passado, o JC noticiou um acidente grave na avenida por conta de animal na pista. O motorista de um Fiat/Uno trafegava no sentido Lago Sul-Cemitério do Ipê, quando colidiu com uma vaca e capotou.
Ele e mais dois adolescentes, de 15 e 17 anos, tiveram ferimentos leves. Todos os ocupantes foram socorridos pela Unidade Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros. Já uma jovem de 21 anos ficou vários dias internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com ferimentos graves.
Solução
Após reclamações por parte de moradores da avenida José Vicente Aiello, o tenente José Sérgio de Souza, comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, afirmou que o patrulhamento no local começaria a ser ampliado a partir desta semana.
“Vamos intensificar o patrulhamento de trânsito na avenida para ver se a gente constata irregularidades e até mesmo imprudência dos motoristas. Caso forem confirmadas as queixas, vamos tomar as devidas providências”, disse.
De acordo com o tenente, a avenida não é marcada como um dos pontos da cidade que ocorrem acidentes constantes. Entretanto, ele orienta os motoristas a terem atenção.
“Por ser uma pista sinuosa, os motoristas devem ter cautela, redobrar a atenção e, acima de tudo, obedecer à sinalização do local”, frisa José Sérgio de Souza.
Emdurb estuda a instalação de radares na via
O jornalista Gilmar Dias passa cerca de três a quatro vezes por dia no local e revela que motoristas andam com velocidade excessiva. “Já notei carros passando a 100 quilômetros por hora ou, às vezes, até mais que isso”. Na opinião dele, faltam placas que indiquem a velocidade permitida na avenida.
“Eu não me lembro de ter visto placas por ali. Não sei nem dizer se o permitido é 60 quilômetros por hora ou menos. Talvez isso seja uma deficiência por parte da sinalização na via”, conclui.
Segundo a assessoria de comunicação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o setor de planejamento e operações viários do órgão estuda a instalação de radares nos dois sentidos da avenida. A data, porém, não foi citada. Fala-se apenas em “médio prazo”.
Já a instalação de lombadas, de acordo com a assessoria de comunicação do órgão, em princípio, seria inviável.
‘Buracos novos’
Na opinião do advogado Ivan Garcia Goffi, morador do Lago Sul, o problema da avenida José Vicente Aiello seriam os buracos. “Os carros estão desviando de buracos. Taparam a semana passada, mas já vejo pontos com trincado. O que é perigoso na avenida é a necessidade de você ‘tirar’ o carro de um buraco e jogá-lo na contramão”, disse.
O advogado alega que a estrutura do asfalto está prejudicada e que aos buracos surgem em pouco espaço de tempo. “Faz quatro ou cinco dias, vi que buracos novos foram arrumados pelo setor de obras da prefeitura”.
Encarregado de cemitério ‘virou’ guarda de trânsito
Em dia de sepultamento no Cemitério do Ipê, vários carros acompanham o cortejo e a velocidade não passa de 30 quilômetros por hora. O momento fúnebre, contudo, nem sempre é marcado pelo respeito. É o que afirma o encarregado do cemitério, José Batista de Mendonça.
“Vem veículos em uma velocidade que, com certeza, estão a mais de 80 quilômetros por hora. Chegam a frear em cima do cortejo. Eu banco o guarda de trânsito e tento orientar os motoristas. Sabe o que eles fazem? Respondem com a mão na buzina”, reclama.
Mendonça alega que já mandou requerimento para Emdurb solicitando lombada e o pedido foi indeferido. “Guardo todos os protocolos porque, no dia que acontecer alguma coisa, a responsabilidade não vai ser do Cemitério do Ipê”, pontua.