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E o Vento Levou |
Poucas coisas são mais cinematográficas do que um beijo... cinematográfico. A sétima arte soube como poucas imortalizar este momento sublime em cenas que atravessam as décadas e marcam sucessivas gerações.
São beijos que embalaram paixões do lado de cá da telona e se tornam inesquecíveis. O beijo torna-se, muitas vezes, uma obsessão no cinema. Consta que o diretor Alfred Hitchcock, que diz a lenda era apaixonado pelas atrizes que estrelavam seus filmes, como Grace Kelly e Kim Novak, tinha o costume de repetir as cenas de beijo centenas de vezes em busca da perfeição.
Como amanhã é Dia Mundial do Beijo e o Jornal da Cidade lembra alguns dos beijos mais marcantes da história do cinema. Sem querer o impossível, que seria esgotar o assunto, fica a cargo leitor complementar com o seu beijo inesquecível, que nunca mais saiu de nossa memória.
BEIJO ‘MASSA’
Um dos beijos mais românticos e lindos do cinema, acontece em “A Dama e o Vagabundo”, clássico da Disney de 1955. Um fio de espaguete é o agente do destino que leva Lady e Vagabundo, os dois cãezinhos protagonistas apaixonados, a se beijarem em uma cena enternecedora. Um beijo singelo e seguido por acesso de timidez e indisfarçável satisfação. Algo parecido ocorre em “Meu Primeiro Amor”, 1991. Um beijinho inocente, delicado, entre os personagens de Anna Chlumsky e Macaulay Culkin. Muito tocante a cena.
Obrigatoriamente delicado é também o beijo que trocam os personagens Johnny Depp e Winona Ryder em “Edward Mãos de Tesoura”, 1990.
“A um Passo da Eternidade”, 1953, tem a cena de beijo muitas vezes considerada “o beijo” do cinema. Burt Lancaster e Deborah Kerr beijam-se na praia em meio às ondas que quebram na areia em um dos momentos românticos mais emblemáticos da história da sétima arte. O beijo é de um amor proibido, já que a personagem de Kerr era casada com o superior do militar interpretado por Lancaster.
E O VENTO... BEIJOU
Momentos sublimes das telonas são marcados por beijos. Como em “E o Vento Levou...”, de 1939, com os personagens de Vivien Leigh e Clark Gable, ou no ultrarromântico “Titanic”, de 1997, onde Leonardo DiCaprio e Kate Winslet beijam se na proa do imenso navio sem saber que o recém-nascido amor já estava condenado a morrer nas águas geladas do Oceano Atlântico.
Alguns beijos nascem clássicos. Assim é em “Homem Aranha”, de 2002, quando Peter Parker (Tobey Maguire), como Homem Aranha, na chuva e de cabeça para baixo, puxa parcialmente a máscara do super-herói e beija sua amada Mary Jane (Kirsten Dunst).
Ainda no critério originalidade, Woody Allen, em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, de 1977, propõe beijo no meio do encontro com a personagem de Diane Keaton para quebrar tensão. Assim, já teriam se beijado e estaria tudo bem.
Um beijo pode até mesmo ser o motivo de uma das sequências mais marcantes do cinema. Como em “Cantando na Chuva”, 1952, em que Gene Kelly se despede de Debbie Reynalds com um beijo e sai pela cidade sob a chuva cantando e dançando sua felicidade de estar apaixonado.
Nem mesmo a morte pode impedir um beijo no cinema. Em “Ghost - Do Outro Lado da Vida”, Patrick Swayze vem do além para um último beijo em sua amada Demi Moore.
“Cinema Paradiso (1988)” é uma homenagem ao próprio cinema. Guarda para a última sequência o momento em que o já adulto o personagem de Jacques Perrin, um cineasta, encontra no cinema do vilarejo onde cresceu um rolo de filme deixado pelo amigo, antigo projetista, que reúne todas as cenas de beijo censuradas pelo padre local. Irretocável!
O beijo sempre será arma para comover e tocar os espectadores, porque como diz “As Time Goes by”, música tema do filme “Casablanca”, “a kiss is still a kiss”. Sim, um beijo é sempre um beijo e, por mais banalizado que esteja, simboliza um encontro de emoções ou desejos não banais.
Sem tabu
Se o beijo gay foi um tabu na televisão brasileira, no cinema passou longe disso. “O Segredo de Brokeback Mountain”, 2005, causou polêmica ao levar a temática da homossexualidade a um universo tradicionalmente carregado de testosterona, o western. O filme, no entanto, é uma sensível história de amor que extrapola a questão de gênero. Os personagens de Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, impedidos de assumirem seu amor, vivem uma relação permeada pela dor. Uma das cenas mais marcantes é a do reencontro entre ambos, marcado por um beijo intenso.
Porém, 20 anos antes, “Minha Adorável Lavanderia”, 1985, já trazia um relacionamento homoafetivo entre os personagens de Daniel Day-Lewis e Gordon Warnecke, onde um amor desafiava convenções.
Nada românticos
Mas nem sempre o beijo é sinônimo de romantismo no cinema. Existem beijos repulsivos, engraçados, violentos... Inesquecível a cena do clássico italiano “O Incrível Exército de Brancaleone”, de 1966, onde o alucinado clérigo Zenone, interpretado por Enrico Maria Salerno, beija Brancaleone (Vittorio Gassman), que fugia de uma cidade arrasada pela peste negra e, supostamente, estava contaminado, para mostrar que os servos de Deus não precisavam temer nada, nem mesmo a letal peste.
Outro momento divertido acontece em “Os Goonies”, de 1985, quando o assustador e deformado, mas bondoso, Sloth (John Matuszak) beija o amedrontado pequeno Chunk (Jeff Cohen), uma das cenas mais marcantes da produção.
Em “Será que Ele É?”, 1997, Kevin Kline faz o personagem principal, um professor, que entra em uma crise, após um ex-aluno receber um Oscar por um papel como homossexual em um filme e agradecê-lo em seu discurso dizendo que ele é gay. O repórter vivido por Tom Selleck o ajuda a “se resolver” com um beijo magistral e irresistivelmente cômico.
Longe de engraçado é a troca de fluidos entre o perturbado personagem de Jack Nicholson em “O Iluminado”, 1980, com uma deslumbrante mulher que encontra em um dos quartos do hotel “mal-assombrado” onde vai morar com a família.
Na cena, o protagonista beija a beldade, mas quando observa seu reflexo em um espelho está beijando uma velha morta-viva, com o corpo em decomposição.
Em “Beijo no Asfalto”, 1980, drama adaptado do texto de Nelson Rodrigues para o cinema, Ney Latorraca interpreta personagem que acaba perseguido, tendo o casamento destruído após realizar o último desejo de um moribundo após ser atropelado na rua: um beijo.
Talvez o beijo mais frio da história do cinema, ocorra em “O Poderoso Chefão 2”, de 1974. Michael Corleone (Al Pacino) decreta uma sentença de morte a seu irmão Fredo (John Cazale) no réveillon.
A senha é um beijo, o famoso beijo da morte, carregado de significados funestos e seguido pela célebre frase: “você partiu meu coração”, em referência a uma traição de Fredo à família.
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