Muitos deles tiram o acessório da cabeça apenas para dormir, acham o formato de aba reta mais estiloso, consideram que o boné chama atenção do gênero oposto, mas não escondem preocupação com a calvície decorrente do uso excessivo.
A geração de bonés não abre mão da cabeça coberta, mas fica apreensiva quando a discussão é sobre o efeito nos fios de cabelo e no couro cabeludo fruto da falta de “respiro” da cabeça.
Alunos da Escola Estadual Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, integram essa “tribo”, comportamento que se repete em todos os cantos da cidade. O clube do boné da escola do Jaraguá tem, entre seus integrantes, Francisco Marcelo Pereira de Araújo, Lucas Henrique de Oliveira, David Cristiano Brandão, Guilherme Daniel Fernandes Carneiro, Gabriel dos Santos de Carvalho, Cibele da Silva Lemos, Alexsandro da Silva e Adenilson Correa Júnior.
Por que você usa boné? “Para suportar o sol na rua, onde trabalho como vendedor” (Francisco); “Para tapar o cabelo que é ruim“ (Lucas); “Raspei a cabeça e fiquei usando” (David); “Meu cabelo é ruim” (Guilherme); “Passei a máquina com 9 anos e acostumei” (Gabriel); “É um estilo, eu gosto de usar” (Cibele); “Meu cabelo é ruim” (Alexsandro) e “Uso mais para proteção contra o sol” (Adenilson), contam.
Variantes
A quase unanimidade no grupo é que o boné deixa a moçada mais bonita.
A maioria prefere o modelo com aba reta e corpo mais profundo, que fica mais enfiado na cabeça.
Os jovens contam que em geral as mães são as que mais questionam o uso do boné em suas casas. Os modelos variam em desenhos e cores, mas há certa predominância pelos bonés com uma palavra ou sigla. A cor preta é a com maior presença.
O grupo diz que vai de boné até na igreja, embora todos tenha mencionado que tira o acessório para permanecer no templo por respeito. Na escola Ayrton Busch, o boné está autorizado na sala de aula há ponto tempo. Mas os jovens contam que isso é exceção. “Nas outras escolas não pode entrar de boné na sala de aula”, diz Francisco, com a confirmação dos colegas.
Alguns dos meninos utilizam o boné por até 18 horas por dia, como Francisco. “Tenho pai e tio carecas. Sei que estou acelerando a possibilidade de ficar careca e isso preocupa”, afirma.
Adenilson Correa cita que tem tio e avô com poucos fios capilares. “Mas eu não me importo muito, não. Se ficar careca, ficou”, minimiza. Mas entre os demais colegas, a relação entre boné e calvície é assumida como tensão.
Alergia...
Segundo profissionais da dermatologia, a presença excessiva do boné na cabeça, além de poder gera consequências de alergia por higiene, aprofunda a possibilidade de queda prematura dos fios. O couro cabeludo fica sem espaço para “respirar” e o processo, com calor e excesso de uso, provoca a morte da “raiz do cabelo”.
Para especialistas, a geração de bonés vai determinar o aumento do número de calvos em poucos anos. Apesar disso, o grupo que conversou com o JC argumentou que o boné não é maioria entre os amigos e nem na escola. A higiene com o acessório também preocupa. Os usuários admitiram que lavam o boné, em média, uma vez por semana.