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Malavolta Jr. |
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Presidente da Academia Bauruense de Letras conta como a literatura passou a fazer parte da sua história, além de revelar projetos futuros e declarar amor à família |
Atual presidente da Academia Bauruense de Letras (ABLetras), Joaquim Simões Filho, nasceu em Dois Córregos, mas vive em Bauru desde os 3 anos de idade.
A paixão pela “Cidade sem Limites” está expressa em seu livro “Contos - Fatos e Reflexões”, no qual fala de pontos marcantes da cidade. “É como o fez Eça de Queirós com a cidade de Lisboa”, diz.
Poeta, escritor e professor de literatura aposentado, nesta página ele fala sobre suas principais passagens pessoais e profissionais. Autor de três livros publicados - a obra de poesias “Liberdade Absoluta”, em 2006; o romance “Índia - Morada dos Deuses”, 2011; e o mais recente, “Contos - Fatos e Reflexões”, 2014 -, ele lembra que a literatura passou a fazer parte de seus dias no segundo ano da faculdade de letras: “Um professor pediu que a turma preparasse um texto, em prosa ou verso, para uma exposição oral na classe. Eu escrevi o soneto chamado Mundo Cão. O professor achou o conteúdo muito triste. Fiz outro soneto: Mundo Cristão”, conta com bom humor.
Joaquim dividiu os seus dias de trabalho entre as aulas de literatura e língua portuguesa e o trabalho administrativo do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Casado e pai de duas filhas, ele também fala sobre espiritualidade e hobby. Acompanhe.
Jornal da Cidade - Quando o senhor chegou a Bauru?
Joaquim Simões Filho - Eu nasci em Dois Córregos, mas quando vim para Bauru eu devia ter uns 3 anos de idade. Então eu cresci aqui e, apesar de ter morado fora durante oito anos, eu nunca transferi meu título de eleitor. Eu saí da cidade por causa do trabalho. Fiz carreira administrativa no Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Comei em 1960. Fui chefe do Departamento de Relações Humanas, em Prudente, onde morei por cinco anos. Depois, fui para Campinas e trabalhei mais três anos em treinamento de pessoal. Eu tinha cursado licenciatura em letras vernáculas, entre outros diplomas. Só que meus cursos não se aplicavam ao DER, então, fiz faculdade de administração de empresas. Passei a administrador encarregado e chefe.
JC - Quando nasceu o desejo de ser professor?
Joaquim - Eu estudei no Núcleo Profissional da Noroeste, saí de lá como soldador, minha primeira profissão. Arrumei emprego em uma companhia de recuperação de vagões, uma empresa privada que prestava serviços para a Noroeste. Era um lugar terrível para se trabalhar. Paravam aquelas gaiolas de gado, e a poeira de ferrugem e o estrume seco dos bovinos transformavam o espaço de trabalho em um nevoeiro londrino. E eu não me sentia bem. Tinha uns 18 anos de idade. Um dia, voltando para casa, sentei-me sob uma árvore e falei comigo mesmo: isso não me serve, não é o que eu quero para a minha vida, vou estudar. Fiz datilografia naquele resto de ano, no seguinte entrei no Senac e fiz dois cursos: curso básico comercial e técnico em contabilidade. Terminando, eu estudava muito português para concurso, pensei em fazer faculdade de direito. Mas achei melhor fazer letras porque poderia pegar aulas já no segundo ano de faculdade, o que me ajudaria a pagar o curso. Também fiz pedagogia.
JC - E quando descobriu a literatura?
Joaquim - No segundo ano da faculdade de letras, um professor pediu que a turma preparasse um texto, em prosa ou verso, para uma exposição oral na classe. Eu escrevi o soneto “Mundo Cão”, que inclusive está no meu livro “Liberdade Absoluta”. O professor achou o conteúdo muito triste. Fiz outro soneto: “Mundo Cristão” (risos). E foi com sonetos que eu comecei a escrever. Um poema clássico, que exige detalhes de métrica, ritmo e rima, mas sou perfeccionista e comecei por um poema que exige perfeição técnica. Comecei a estudar figuras de linguagem para criar imagens, pois um poema vive de imagens. Um poema de três versos com uma bela imagem, vale mais do que um poema de 20 versos, sem imagem. O que o jovem precisa é conhecer as figuras de linguagem: metáfora, metonímia, aliteração, hipérbole, eufemismo, prosopopeia, sinestesia, entre outras, para o poema não parecer com uma receita de bolo (risos). Eu lecionei em escolas particulares. Comecei no Liceu, onde trabalhei por cinco anos. Depois, mais cinco anos no Colégio La Salle. Lecionei quatro anos no Objetivo de Prudente, e sempre escrevendo. Eu dividi meus dias profissionais entre o trabalho no DER e as aulas. Eu lecionava à noite.
JC - O senhor é um homem religioso?
Joaquim - Não diria religioso. Há quase 15 anos eu frequento a Suddha Dharma Mandalam. Na Índia, ela é tida como uma instituição exotérica e, no Ocidente, falam em instituição filosófica. Eu colocaria uma pitada de religião junto e misturaria com o esoterismo. Temos congresso todos os anos. Minha esposa me acompanha. Eu estudo essa filosofia, tanto que escrevi o livro “Índia - Morada dos Deuses”, uma pesquisa profunda de quase dois anos sobre a Índia.
JC - O senhor é um dos fundadores da ABLetras.
Joaquim - Eu sempre digo que tudo surge através de uma ideia. Andando pela cidade, depois de oito anos fora, eu encontrei um amigo, o Luiz Vitor Martinello, isso no início da década de 1990. Tomando chope, perguntei a ele se já haviam criado a Academia Bauruense de Letras (ABLetras). Ele, sorrindo, disse-me: “Ninguém teve coragem, ainda”. Bom, um certo tempo depois, ele me ligou falando sobre uma reunião marcada na casa da dona Celina Neves para tratar da criação da ABLetras. E a primeira reunião que formalizou a criação ocorreu no dia 19 de dezembro de 1991.
JC - Qual é a sua história de amor?
Joaquim - Eu estou casado há 44 anos com a Maria Celeste, sem contar os seis anos de namoro. Tudo começou quando ela se mudou da fazenda com a família, porque o pai queria que os filhos estudassem. Bem, eu estava participando de uma brincadeira dançante da escola para arrecadar fundos. E lá estava ela com uma colega. Meu sogro tinha uma pastelaria na cidade, a Bossa Nova, imagine, passei a comer pastel quase diariamente (risos). Formamos uma bela família, com duas filhas, Karina e Adriane, e um neto de 6 anos, o Murilo Simões Martins.
JC - O cultivo de bonsais não é um hobby muito comum.
Joaquim - Eu gosto bastante. Quando me aposentei, decidi que faria algo diferente. Vi o anúncio de um curso de cultivo de bonsai, fiz e hoje tenho dezenas deles.
JC - Há projetos novos?
Joaquim - Como presidente da ABLetras, eu tenho compromissos diários. Mas também estou com quatro livros em andamento. Um romance: “O Andarilho”; “Poemas Místicos”; “Laços Fraternos”, sobre Bauru; e “Baú de Poemas”, sobre tudo o que se possa imaginar. Ainda tenho alguns contos que rendem mais meio livro (risos). Eu realmente acredito que a pessoa não pode parar no tempo, sabe? De fato, precisa caminhar com ele e se precaver fisicamente para evitar intempéries da vida.
Perfil
Nome: Joaquim Simões Filho
Idade: 74 anos
Local de Nascimento: Dois Córregos/SP
Signo: Virgem
Esposa: Maria Celeste Moschin Simões
Filhos: Karina e Adriane
Hobby: Ler, escrever e cultivar bonsais
Livro de cabeceira: Ensinamentos de Sai Baba; Yoga Dípika, de Sri Hansa-Yogue, impresso pela Suddha Dharma Mandalam, e Salmos da Riqueza Interior
Filme preferido: Filmes que transmitem mensagens para a vida espiritual
Estilo musical predileto: MPB e música romântica
Para quem dá nota 10: Para Deus
Para quem dá nota 0: Para o ódio (caminho das trevas)
E-mail: simoesjoaquim@ig.com.br