Que me perdoem os "entendidos de futebol" da cidade, principalmente da minha família, mas revoltada com a situação do Norusca, vou dar minha opinião. Conta a história que um menino rico, dentro dos muros de sua mansão, brincava só com amigos vindos de fora de seu ambiente; até que acabou ficando sozinho, triste, doente, sem esperança.
Enquanto isso, do lado de fora da mansão, em casas mais simples (distritais), a criançada da cidade faz a festa, brinca, joga, dão o sangue por suas equipes (muitas vezes sem treinar, trabalhando a semana inteira), mas são felizes e são "campeões". Pena que os donos da mansão, entendidos, não conseguem olhar para baixo e ver que muitas dessas crianças são talentosas e se colocadas para dentro, conseguiriam trazer vida à mansão hoje apagada e triste e ao seu menino que está na UTI; porém, a chama vermelha jamais se apagará.
Outro problema da mansão também são os funcionários (torcida), poucos, sofridos, difíceis de aparecerem, ao contrário das fãs dos meninos da várzea, basta dar uma volta pela cidade aos domingos de manhã por volta das 10h e ver a grande movimentação em volta dos distritais, as torcidas chegando com suas bandeiras (famílias inteiras para torcerem pelos meninos craques), lotando as arquibancadas; que bom seria se eles se unissem para torcer por seus ídolos vestidos uma certa camisa "vermelha".
Será que com 2 campeonatos, mais de 40 times (com jogadores que trabalham a semana inteira e nos finais de semana jogam às vezes de graça e fazem jogadas espetaculares), seria difícil aos dirigentes do Norusca escolher 30 ou 40 jogadores para formar um time da cidade, que aos poucos, treinados e condicionados adequadamente, dariam muitas glórias ao "time" e à cidade. Dizer que leva tempo, na situação que estamos não é argumento, pois com os "craques" importados a dívida só cresceu e o presente foi a 4ª Divisão.
Nasci aqui, amo o Norusca e acompanho a várzea desde o tempo de meu pai, meus irmãos e sobrinhos. Vi craques crescerem e irem embora sem nem passar pelo Noroeste, craques que dariam para formar uma seleção, só não serviram para Bauru.
Senhores dirigentes, fica aqui o meu pedido, olhem com humildade para a várzea de Bauru e vocês descobrirão valores imensos, verdadeiras jóias, quem sabe daqui a 4 anos não teremos mais "pena" polense do Norusca e alegres diremos: somos felizes ? "i tú"? Obrigada.
Maria Aparecida Augusto