10 de julho de 2026
Nacional

Operação Lava Jato: Skype e BBM eram usados para tentar driblar escuta

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Na Operação Lava Jato, a Polícia Federal descobriu que alguns personagens que se identificavam como Primo, Zezé, AsterixObelix e Bat Fatalic evitavam ligações telefônicas convencionais e preferiam as mensagens criptografadas do BlackBerry (BBM), diálogos via Skype ou a troca instantânea de dados por Whatsapp.

Reprodução

 Polícia Federal descobriu que acusados preferiam as mensagens criptografadas do BlackBerry (BBM), diálogos via Skype ou Whatsapp

De nada adiantou tentar driblar a PF usando codinomes e programas considerados mais seguros em relação a telefonemas comuns para evitar serem grampeados.

A PF conseguiu autorização judicial para interceptar em tempo real dados trocados pelos investigados por Skype, BBMs e e-mails.

Além de negócios suspeitos, descobriram que por trás dos apelidos estão, respectivamente, os doleiros Alberto Youssef, Carlos Chater, Raul Srour e Nelma Kodama —todos presos pela PF.

Lavagem de dinheiro

É o que revelam documentos da operação Lava Jato, deflagrada para apurar esquema de lavagem de dinheiro que envolve políticos, contrabandistas e até traficantes de drogas e movimentou de forma suspeita R$ 10 bilhões.

Apesar de os papéis não deixarem explícito que diálogos no Whatsapp também foram monitorados nessa operação, a Folha apurou que a PF, se autorizada pela Justiça, também consegue acessar dados trocados por esse tipo de tecnologia.

O próprio juiz federal que autorizou a quebra de e-mails e BBMs destacou serem necessários "métodos modernos de investigação, como a interceptação telemática" para elucidar as transações dos doleiros que "se dão essencialmente pelo Skype e Messenger".

"Não vislumbro no presente momento, pois, outro meio para elucidar tais fatos salvo a interceptação ou outros métodos de investigação mais invasivos", escreveu o juiz Sérgio Moro.

CPI do Cachoeira

No ano passado, a CPI do Cachoeira, que apurou as relações do empresário Carlinhos Cachoeira, derrubou o mito de que rádios Nextel não podiam ser grampeados.

Anos antes, a Operação Satiagraha, na qual a PF investigou o banqueiro Daniel Dantas, já revelava que era possível monitorar o Skype.

Agora, a Lava a Jato deixa claro que os BBMs podem sim ser grampeados —até mesmo o presidente Barack Obama e a Casa Branca usavam o BlackBerry por motivos de segurança.

Diferente de outros celulares, o sistema de segurança do aparelho faz com que os dados saiam codificados por chaves de segurança efêmeras, ou seja, que expiram a cada transmissão, dificultando o monitoramento.

A PF solicitou e a Justiça concedeu a quebra do BBM para que a equipe de investigação tivesse, em tempo real, o acesso ao conteúdo dos diálogos e mensagens. O pedido foi feito direto à empresa canadense RIM que administra o serviço. O mesmo aconteceu com a Microsoft, responsável pelo hotmail.

"A gente acha que tem algum tipo de privacidade na internet mas na verdade não tem. As empresas [responsáveis pelas tecnologias] conhecem as fragilidades e podem dar acesso aos códigos se a Justiça determinar", explica o professor Ricardo Giorgi, professor de MBA em Gestão de Segurança da Informação da Fiap.

Códigos

O professor afirma, porém, que há tecnologias com códigos mais difíceis de serem quebrados por hackers e, portanto, mais seguros para pessoas comuns, desde que não sejam alvos de investigações oficiais.