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Reprodução/Quioshi Goto |
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Em fevereiro, ladrão com faca rouba dinheiro do caixa de posto, mas a sequência de assalto gera insegurança em Pederneiras |
Vítima de seis assaltos em apenas dois meses, na semana passada, funcionário de posto de combustível no Jardim Modelo, em Pederneiras, perdeu a paciência e, num ato impulsivo, correu atrás do ladrão com uma barra de ferro. Por sorte, o acusado portava uma faca e acabou fugindo. A atitude, desaconselhada pela polícia, reflete a indignação de quem tem de conviver diariamente com o medo e a insegurança. A Polícia Militar (PM) informou que o patrulhamento na região já foi reforçado (leia mais abaixo).
Apenas neste mês, o posto de combustível já foi assaltado três vezes. A última ocorrência foi registrada na quinta-feira passada, no início da noite. De acordo com um funcionário, que terá a identidade preservada por segurança, um homem armado com faca chegou ao local e anunciou o assalto, mas um dos frentistas reagiu. O ladrão ainda conseguiu roubar R$ 4,00 do caixa antes de sair correndo.
“A gente vem conversando com ele, pedindo calma, falando para não reagir. Mas foram tantas vezes. E ele conhece o cara. Só pelo jeito do cara chegar, ele já sabe quem é”, revela. “Ele não tolerou. Na hora em que o cara foi para cima do caixa com uma faca exigindo dinheiro, ele pegou a barra de ferro e partiu para cima. Aí o cara correu e, já em seguida, abordou outro posto e assaltou”.
O funcionário acredita que, pelas características físicas do autor dos roubos, todos tenham sido cometidos pela mesma pessoa, que sempre está encapuzada e usa faca para ameaçar as vítimas. Os assaltos foram gravados pelas câmeras de segurança do posto.
Ladrões são rápidos
A gerente do posto, que também terá o nome preservado pela reportagem, explica que os funcionários são orientados a não reagir em caso de roubo. “A gente, em primeiro lugar, preza a segurança do funcionário”, afirma. “Com certeza, tem gente lá fora esperando por ele (ladrão)”.
De acordo com a funcionária, em geral, os ladrões agem com muita rapidez e, apesar do empenho da PM, conseguem fugir. “É uma ação muito rápida, eles somem do nada. Os policiais vão até o local, comparecem toda vez que a gente chama, é até rápido, mas eles são muito ágeis”, conta.
Danos emocionais
Ela diz que a sequência de assaltos, além dos prejuízos financeiros (nas seis ocorrências, foram roubados cerca de R$ 1,7 mil), tem resultado em danos físicos e emocionais às vítimas. “Os meus funcionários não querem mais trabalhar no período da tarde”, revela. “A menina grávida (frentista) já pegou um atestado de três dias para se acalmar”.
Num dos casos, segundo a gerente, um dos funcionários chegou a ser agredido e teve que levar três pontos na cabeça. “O cara já chegou batendo nele”, revela. “Não teve reação do meu funcionário. Ele foi violento dessa vez. Foi quando a gente ficou mais preocupado”.
Ela também informa que, por conta das ocorrências, o posto de combustível, que fechava às 21h, passou a fechar uma hora antes, o que acaba prejudicando a população.
Em 10 dias, 9 assaltos
A reportagem apurou que, no período de dez dias, o município registrou pelo menos nove assaltos. Além de postos de combustível, os ladrões roubaram duas vezes uma padaria, fábrica de gelo e loja de presentes.
De acordo com o tenente Gustavo Barbosa, que responde pela 6ª Companhia da PM, o patrulhamento já foi reforçado nas regiões que registram os maiores índices de crimes, o que inclui o Jardim Modelo e Centro.
Viaturas também ficam estacionadas por alguns períodos em pontos estratégicos para coibir roubos e furtos. “A gente está empenhado, juntamente com a Polícia Civil, na investigação e identificação dessa pessoa para poder detê-la”, diz.
O tenente se mostra preocupado com o número de adolescentes envolvidos em crimes na cidade. “Normalmente, essas pessoas demonstram maior nervosismo na ocorrência”, explica. “Muitas vezes, oferecem risco maior à vítima, acabam tendo um descontrole emocional maior. A nossa recomendação é para que a pessoa, de forma alguma, reaja”.
Ele confirma aumento de ocorrências nos últimos meses e define a situação como atípica. “Isso gera uma preocupação para a gente e, até por isso, a gente está se empenhando bastante na localização e identificação dessas pessoas”, pontua.