09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Os provérbios na contabilidade divina


| Tempo de leitura: 3 min

Não sei se já tivemos oportunidade de examinar expressões como provérbios e ditos que nenhuma justiça fazem à ideia de Deus.

Uma delas é aquela que diz: "Pagam os justos pelos pecadores". Jamais o justo pagará coisa alguma em lugar do pecador. Não há quem pague o que não deve.

Quando assistimos na vida terrena ao sofrimento da criatura boa, caridosa e justa, estamos certos de que ela está, provavelmente, resgatando faltas antigas, de suas existências anteriores.

Da mesma forma, quando o sofrimento e a angústia nos afligem, o primeiro impulso é lamentar-se em altos brados: "Que fiz para merecer tamanha desgraça?" Muitos irmãos, alguns até esclarecidos, duvidam da justiça divina, que, no entender deles, condena e aplica penalidades em seres desprovidos de culpas. Mas, que sabemos nós do que fizemos de errado através de vidas sucessivas? A justiça divina responde ao nível de conhecimento de cada um. Você puniria uma criança de dois anos por não saber ler?

A vida só ensina a quem tem condições de aprender, e a colheita dos resultados de suas atitudes é sempre uma lição. De que adianta ensinar quem não tem como aprender?

Em resumo, a vida é mais tolerante com quem é ignorante, e mais ágil com quem sabe mais. O ignorante pode fazer o mal pensando que está se defendendo, cuidando do seu bem, mas o sábio compreende melhor o que é o bem, e, quando pratica o mal, tem maior responsabilidade, colhe rapidamente os resultados de suas atitudes. Agora, se ele faz o bem sua vida se torna verdadeiramente abençoada e feliz.

Passaremos a comentar outros ditos: "Deus dá nozes a quem não tem dentes", ou "Deus dá asas a quem não sabe voar".

Além de supor a existência de um Deus vingativo e maldoso, que se diverte em suprir de nozes a quem não tem dentes para mastigá-las, ou asas a quem não pode utilizá-las. Esses provérbios revelam o desconhecimento absoluto das leis divinas. De mais a mais, a punição e o sofrimento não vêm das mãos de Deus, mas de nós mesmos, quando praticamos nossos próprios erros.

O equilíbrio no balanço da vida só se obtém por partidas dobradas, de conformidade com as normas clássicas da Contabilidade. A falta que cometemos contra o irmão fica debitada à nossa conta e, em futuro próximo, resgatada.

Outro provérbio invigilante, é esse: "Parentes são os dentes, mesmo assim mordem a gente". Os parentes que temos nessa vida são os que merecemos de acordo com nossa evolução espiritual. Acontece que ao nascer, cada pessoa traz um plano de vida que, se for cumprido, vai fazê-lo dar um passo à frente, ser mais feliz, incluindo-se a constituição de sua própria família! Os parentes não mordem a gente como diz o ditado, apenas os parentes se congregam em torno de nós para que juntos aprendamos a nos amparar, sofrer e caminhar.

E mais outras: os nossos compromissos com a lei são tão sérios que temos até ajudas espirituais para o bom desempenho, aqui na Terra. Então, porque o dito amargo de que mordem a gente?

Assim, definitivamente, vamos começar, todos nós, a desfazer esses provérbios e ditos mal formados e mal informados.

Azis Neme