09 de julho de 2026
Nacional

Deputado André Vargas adia renúncia para amanhã

Por Mariana Haubert | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

 Laycer Tomaz/Câmara dos Deputados

Vargas diz que posição da Câmera de manter processo no Conselho de Ética cria "um impasse"

O deputado licenciado André Vargas (PT-PR) afirmou na tarde desta terça-feira (15) que não iria apresentar o pedido de renúncia de seu mandato hoje. De acordo com o petista, a formalização deverá ser feita amanhã, quarta-feira (16).

Ele é acusado de envolvimento com o doleiro preso Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Ontem, segunda-feira (14), Vargas havia anunciado que renunciaria nesta terça-feira (15) ao mandato devido às pressões do partido. Em entrevista ontem, Vargas disse ainda que a questão familiar foi fator fundamental na decisão pela renúncia. Ele afirmou que não quer ser tratado como "sócio de doleiro".

No entanto, o deputado afirma que a posição da Câmara de manter o processo no Conselho de Ética mesmo após a apresentação da renúncia cria "um impasse" que o fez suspender a decisão.

Para o presidente do Conselho de Ética da Casa, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), a Constituição determina que, após a abertura do procedimento disciplinar no colegiado, a possível renúncia de Vargas deveria ser suspensa até uma decisão final do conselho, que pode pedir a cassação do seu mandato.

"Fiz questão de anunciar que o processo seguiria no Conselho para que ele [Vargas] não renuncie", afirmou Izar.

Para ele, o objetivo do petista ao pedir para deixar o cargo agora seria desmobilizar a atuação do conselho, impedindo que as investigações contra ele continuem. "Mesmo com a renúncia, o relator pode prosseguir com as investigações, coisa que Vargas não quer", disse.

A decisão final caberá ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que está em missão oficial à China e só retorna ao Brasil na semana que vem.

Izar pretende conversar com ele para apresentar seu ponto de vista. "Vou pedir para que ele não aceite o pedido de renúncia de Vargas", disse Izar.

O início da crise envolvendo Vargas se deu após a revelação de suas ligações com Youssef, pivô da Operação Lava Jato.

A Folha de S.Paulo noticiou que o petista usou um jato cedido pelo doleiro para passar férias com a família no Nordeste, além de ter ajudado nas negociações para a contratação de um laboratório pelo Ministério da Saúde. Desde a revelação da sua proximidade com o doleiro, Vargas se licenciou do mandato por 60 dias e, depois, anunciou a renúncia ao cargo de vice-presidente da Câmara. No entanto, ainda não formalizou o pedido de renúncia.

Com a possível renúncia, o petista ficará impedido de disputar eleições até 2023 devido às regras da Lei da Ficha Limpa.

Terá ainda que enfrentar um processo de cassação aberto no Conselho de Ética da Câmara. O colegiado instaurou o processo na semana passada e o relator do caso, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), deverá apresentar seu parecer pela admissibilidade do processo após o feriado da Páscoa.

Vargas se notabilizou na Câmara pela defesa dos petistas condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão.

Em fevereiro, ele ergueu o punho para os fotógrafos quando estava ao lado do presidente do STF, Joaquim Barbosa, durante uma solenidade no Congresso, repetindo o gesto feito pelo ex-ministro José Dirceu e pelo ex-deputado José Genoino antes de serem presos, em novembro.

O PT deve indicar na próxima semana um nome para concorrer ao cargo de vice-presidente da Câmara. Devido à proporcionalidade dos partidos, a cadeira pertence ao PT. Um dos nomes mais cotados para assumir o posto é o do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que chegou a disputar a vice-presidência com Vargas, em 2012.

Os nomes de outros petistas como o ex-presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS) e o do ex-líder da bancada José Guimarães (PT-CE).