Depois de o governo colocar mais de R$ 5,6 bilhões em obras da Copa-2014, o ministro Aldo Rebelo (Esporte) disse nesta terça-feira (15) que a organização do evento é um investimento "basicamente privado" e que os gastos públicos são "poucos" e não comprometem os orçamentos de Saúde e Educação.
Segundo Aldo Rebelo, as críticas contra os gastos da Copa em relação à Saúde e Educação não sobrevivem ao "cotejamento estatístico". Essas reclamações eram um dos temas das manifestações de junho do ano passado, que pediram hospitais, e não só estádios, no "padrão Fifa".
"Há aqueles que comparam investimentos da Copa com Saúde e Educação, como se houvera desvio de recursos. Isso não resiste ao menor cotejamento estatístico. O orçamento todo do Ministério do Esporte é menos de 1% do Ministério da Saúde e do da Educação. Não tem comparação", disse.
As declarações do ministro foram dadas em audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a organização da Copa.
O próprio ministro lembrou que ainda há custos indiretos, estimados em R$ 600 milhões, em renúncias fiscais. Ou seja, impostos e tributos que o governo deixa de arrecadar. "Isso é quase nada perto dos R$ 27 bilhões de renúncia fiscal para a indústria automobilística nos últimos anos e um pouco menos dos R$ 200 bilhões de juros com da dívida pública", disse.
Com esses números em mãos, Aldo Rebelo saiu em defesa do governo na organização da Copa e foi enfático: os gastos foram "poucos".
"Copa do Mundo é um empreendimento basicamente privado. O que o governo entrou foi com empréstimo de até R$ 400 milhões por estádios e alguns não tomaram empréstimo. Não é a Copa do Mundo um grande destino de investimentos públicos ou de renúncia fiscal. É muito pouco. Houve muito investimento privado. Não há grandes investimentos públicos, há mais investimento público na Olimpíada, é verdade", afirmou.
Segundo o Portal da Transparência, os investimentos diretos do governo federal na Copa somam R$ 5,6 bilhões, 21% do orçamento global de R$ 25,6 bilhões. Os financiamentos federais chegam a R$ 8,2 bilhões. Juntos, esses valores são 13,8 bilhões, quase 54% do total do orçamento da Copa há ainda investimento privado em aeroportos e gastos de Estados e municípios.
Não há gastos diretos da União em estádios, apenas financiamentos de quase R$ 4 bilhões.
O ministro disse ainda na audiência que há estudos que estimam um retorno da ordem de R$3,4 para cada R$ 1 investido na Copa.