Separatistas pró-russos do leste da Ucrânia ergueram ontem a bandeira da Rússia sobre blindados do Exército ucraniano, zombando das tentativas de retomada do controle por parte do governo pró-ocidental de Kiev, na véspera de uma importante reunião em Genebra sobre o futuro do país.
Em meio a uma escalda retórica entre Moscou e Kiev, o incidente ressalta a persistência dos separatistas russos, apesar da ofensiva policial-militar do governo contra os rebeldes armados que capturaram prédios administrativos em dez cidades do leste.
No começo da manhã de ontem, blindados com a bandeira ucraniana entraram na localidade de Kramatorsk, cujo aeroporto já havia sido ocupado pelas forças governamentais na véspera, levando o presidente russo, Vladimir Putin, a alertar para o risco de uma guerra civil.
Vários desses mesmos veículos mais tarde entraram em Slaviansk, que fica a 15 quilômetros. Mas nesse momento os blindados já ostentavam bandeiras da separatista República Popular de Donetsk e da Rússia.
Amistosos
“Muito bem, rapazes!”, exclamavam algumas pessoas aos rebeldes que passavam. “Rússia, Rússia!”, gritavam outros.
Um soldado que vigiava um dos seis blindados agora sob controle dos rebeldes contou à Reuters que integra a 25ª divisão de paraquedistas da Ucrânia, com sede em Dnipropetrovsk.
“Todos os soldados e oficiais estão aqui. Somos todos rapazes que não iremos atirar no nosso próprio povo”, disse ele, acrescentando que seus homens passaram quatro dias sem comida, até receberem mantimentos de moradores locais. Um porta-voz dos separatistas e uma testemunha em Kramatorsk disseram que os soldados ucranianos cederam seus veículos aos rebeldes após uma negociação.
Enquanto isso, um caça ucraniano realizou durante vários minutos manobras acrobáticas sobre a principal praça da cidade, numa demonstração de força do governo central.
Prédio ministerial
Soldados da Guarda Nacional da Ucrânia dispararam tiros para o alto quando uma multidão de separatistas pró-Rússia atacou sua base perto da cidade oriental de Mariupol ontem, afirmou o Ministério do Interior em comunicado. A administração municipal de Mariupol já está sob o controle de separatistas.
A Rússia diz que os ataques são protestos espontâneos.
Premiê ucraniano acusa a Rússia
O primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatseniuk, acusou ontem a Rússia de “exportar terrorismo” para a Ucrânia ao utilizar forças disfarçadas para organizar os separatistas armados que, segundo ele, atacaram tropas ucranianas e ocuparam prédios do governo. “O governo russo deve encerrar imediatamente seus grupos de inteligência diversivos, condenar os terroristas e exigir que eles libertem os prédios”, disse o premiê em reunião do governo.