Dezessete de abril de 2013. Há exatamente um ano, o Noroeste fazia sua última partida fora do Estado de São Paulo, perdendo por 3 a 0 para o Criciúma e dando adeus à Copa do Brasil. E ao que tudo indica, aquele jogo será também o último do clube no cenário nacional por um bom tempo, uma vez que agora o Alvirrubro acaba de ser rebaixado à Quarta Divisão do Campeonato Paulista, e só voltará a atuar profissionalmente em abril de 2015.
No melhor cenário, se não houver nenhuma alteração no regulamento das competições do País, o Norusca só voltaria a um campeonato nacional em 2017 - para isso, teria que subir para a Série A-3 do Paulista no ano que vem, para então disputar novamente a Copa Paulista em 2016 e, sendo campeão, ter uma vaga na Copa do Brasil de 2017.
Foi exatamente isso que aconteceu no ano passado, quando a participação noroestina na Copa do Brasil foi consequência do título da Copa Paulista de 2012, aliás, a última conquista do clube.
Depois, vieram os rebaixamentos na A-2 e A-3 e a campanha pífia na Copa Paulista de 2013, além de duas trocas no comando diretivo da agremiação. Muitas mudanças de técnico também. Somente na Série A-3 deste ano, foram 12 derrotas, e quatro treinadores diferentes: Luciano Sato, Ney Silva, Jorge Saran e Vitor Hugo, com quem a equipe conquistou suas três vitórias no certame. Personagem presente na despedida da Copa do Brasil no ano passado, na função de treinador, e agora como gerente de futebol, Luciano Sato fala mais sobre este último ano do Alvirrubro e projeta o futuro.
JC – Naquele jogo, em Criciúma, vocês já tinham dimensão que poderia ser uma despedida do clube do cenário nacional por tanto tempo?
Sato – A gente vinha de um momento difícil, que era o rebaixamento na Série A-2, e mesmo assim fizemos uma boa partida em casa (empate por 0 a 0) e conseguimos fazer um bom jogo lá. Perdemos e sabíamos que dificilmente voltaríamos a uma competição como a Copa do Brasil tão cedo. Já imaginávamos um segundo semestre apertado financeiramente falando. Não fiquei no clube durante três meses na Copa Paulista, durante a parceria (com a empresa de Fabiano Larangeira), e voltei quando o atual presidente Emílio Brumati assumiu, em um momento em que tivemos dificuldade para montar o time por falta de recursos. A folha salarial era baixa e ainda havia uma quantidade alta de dívidas a serem pagas. Houve muitos acordos para pagarmos dívidas, mas hoje pagamos dentro da realidade do clube.
JC – Aliás, houve muita mudança, não só de técnicos, mas de jogadores ao longo da A-3. Até que ponto isso pesou?
Sato – A diretoria errou? Errou. Mas as pessoas não entendem que, até janeiro, não havia recursos financeiros para se montar um time mais qualificado, o teto era R$ 1.500,00. Quando começamos a ter uma receita melhor, a partir de fevereiro, até trouxemos outros atletas, mas com o campeonato em andamento, você não consegue trazer os melhores jogadores, é difícil. Desde o início eu falava que precisaria de mais quatro ou cinco reforços, mas não havia recursos na época.
JC – Como será traçado o planejamento para 2015? Quando começa a montagem do elenco da Quarta Divisão?
Sato – Após o fim da A-3 liberamos os atletas, fizemos acordo com todos. O foco neste segundo semestre será nas categorias de base, mas o time da Quarta Divisão tem que ser montado com jogadores no limite da idade (23 anos), e escolher bem os três que podemos ter acima disso. Não dá para pensar que o sub-20 que vai atuar no Campeonato Paulista agora será a base da equipe. Três anos faz diferença, o que podemos é subir sete, oito jogadores. A comissão técnica do profissional será contratada a partir de novembro, e o elenco também. Mas o trabalho de observação começa já.
JC – Quanto a base, foram feitas algumas parcerias. O que o Noroeste pode ganhar em cada uma?
Sato – O sub-15 foi montado pelo Foguinho e o sub-17 pelo Paulinho Iacanga, nas duas categorias o Noroeste terá 65% dos jogadores. Em ambas, o clube é quem dá o suporte financeiro, estrutural para a disputa do Paulista. Já o sub-20 fizemos uma parceira com a M2R Sports, mas haverá uma mescla de atletas deles e do Noroeste para o Campeonato Estadual.
Comissão liberada
Além do elenco, a comissão técnica do time profissional do Noroeste também foi desmontada após o encerramento da A-3. O técnico Vitor Hugo, o preparador físico Felipe Pires e o preparador de goleiros Marcos Romano acertaram desligamento do clube, enquanto o roupeiro Neno vai trabalhar no sub-20. O outro roupeiro, Robertinho, está de férias, e o massagista Rodrigues ficará à disposição das categorias de base. Já os preparadores físicos Guilherme de Paula e Rodolfo estão no sub-20. Quanto ao time, o atacante Aguiar foi emprestado ontem ao Presidente Prudente, e a diretoria pretende ceder também, a clube a definir, o goleiro Wellington e o volante Luiz Azevedo.
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