11 de julho de 2026
Esportes

Presidente São Paulino fala em cobertura do Morumbi e futuro de Ceni em seu primeiro dia

Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

Rubens Chiri/saopaulofc.net

Carlos Aidar comemora no dia de sua eleição ao lado de Juvenal Juvêncio e mais 2 dirigentes São Paulinos

 

Após 26 anos da primeira passagem como presidente do São Paulo, o advogado Carlos Miguel Aidar deseja utilizar algumas ideias da gestão anterior no novo mandato, que iniciou oficialmente nesta quinta-feira (17). 

 

Ao ser eleito o mandatário até abril de 2017, na noite desta terça-feira (16), Aidar disse que pretende priorizar a formação de atletas no centro de treinamento de Cotia. 

 

Primeiro para aproveitar a estrutura do local, que abriga em uma área de 220 mil metros quadrados um estádio de 1.500 lugares, sete campos oficiais e um hotel para 148 hóspedes, mas cujo aproveitamento é criticado. 

 

O meia Paulo Henrique Ganso, por exemplo, custou ao clube cerca de R$ 24 milhões. Já com atacante Alexandre Pato, emprestado pelo Corinthians, são investidos R$ 400 mil mensais em salários --o time alvinegro paga a mesma quantia. 

 

"Um jogador que está dando alegria para nós [o Pato] tem valor bastante elevado. E o Corinthians paga metade do salário para ficar sem ele. Isso é incoerente no mundo do futebol", acrescentou o cartola. 

Para melhorar o aproveitamento das categorias de base, Aidar disse que irá nomear um diretor de futebol no local e espera que implementar um sistema integrado com a diretoria do futebol profissional e o técnico Muricy Ramalho. 

 

"Quero um entrosamento da base com o profissional. Na minha época, as categorias de baixo treinavam o mesmo modelo do time profissional. Tinham o mesmo padrão", disse o cartola, que declarou ser favorável a criação de um time de aspirantes. 

 

Mas toda essa preocupação e foco na formação de atletas não significa que Aidar deixará de contratar jogadores experientes. Um caso conhecido na primeira passagem do cartola foi a contratação do volante Falcão, então apelidado de Rei de Roma pela passagem vitoriosa na Itália. 

 

"Se houver oportunidade de repatriar um novo Falcão, vamos fazer. É importante mesclar, mas é importante entender que nem sempre o jogador sozinho resolve. Depende do jogador, do momento da equipe. Quando eu era o presidente [de 1984 a 1988] e trouxe o Rei de Roma, demorou para ele entrar no time. Às vezes não funciona", completou. 

 

Priorizar cobertura do Morumbi

 

Uma das prioridades da gestão Carlos Miguel Aidar tem relação direta com o futebol. Trata-se do projeto de modernização do Morumbi, orçado em R$ 460 milhões e que consiste na cobertura do estádio, uma mini arena de 28 mil lugares e dois prédios de estacionamento. 

 

O problema é que para aprovar uma obra desse tamanho Aidar precisa de quórum de 75% no conselho deliberativo. Hoje, isso significa a presença de 175 dos 234 conselheiros. 

 

Nas duas tentativas anteriores de votação não houve sucesso. Em 16 de dezembro, a oposição boicotou a votação. O mesmo ocorreu na última quarta, dia da eleição presidencial de Aidar, quando até o candidato da oposição, Kalil Rocha Abdalla, 72, desistiu do pleito à presidência. 

 

Para aprovar o projeto, Aidar afirmou que já trabalha com três alternativas. 

 

A primeira é alterar exigência de quórum de 75% que o estatuto do clube impõe para maioria simples (ou seja, 50% do conselho mais um). A medida já havia sido pensada por Juvenal Juvêncio, antecessor de Aidar, mas não avançou por causa da agenda política. 

 

"Nós podemos tentar uma reforma estatutária. Transformarmos o quórum de 75% em maioria simples. Mas será que teremos que mostrar para aqueles que não querem o bem do São Paulo que precisamos fazer isso pelo bem do São Paulo?", disse o cartola, ainda incerto sobre essa alternativa. 

 

A segunda possibilidade é buscar uma fiança bancária, assim evitaria que o São Paulo concedesse o direito de exploração da mini arena e do estacionamento a uma outra empresa. Hoje, a proposta é oferecer dez anos, como possibilidade de renovação por mais dez, para executar a obra. 

 

"O custo é muito elevado. É uma garantia real, mas teríamos de estudar os custos", disse o cartola. 

 

A terceira alternativa é oferecer 25 anos de exploração da obra. Assim, prevê até um ganho financeiro para reforçar o time. 

 

"Podemos negociar 15 anos de exploração com possibilidade de renovação por mais dez anos. Em troca dos cinco anos adicionais que essa proposta contempla, vamos tentar captar um recurso financeiro, algo da ordem de R$ 200 milhões, isso pagaria as garantias financeiras que vamos dar e ainda teríamos dinheiro para reforçar o time de futebol", explicou Aidar. 

 

A oposição foi contra a votação da obra junto com o pleito presidencial, na quarta, alegando ser uma medida oportunista para aproveitar o quórum. Além disso, aponta que o contrato sobre a exploração da obra não foi suficientemente esclarecido aos conselheiros. 

 

A polêmica em torno da obra cobertura do estádio já fez até a construtora Andrade Gutierrez, responsável pelo projeto, desistir de executá-lo, no final de janeiro. Isso significa que, se a obra for aprovada, o clube terá de negociar com outra construtora. 

 

Para Aidar, resolver essa questão é prioritária porque o São Paulo ficará atrás dos rivais em um futuro breve. Ele prevê que com a inauguração do Itaquerão, do Corinthians, e do Allianz Parque, do Palmeiras, o Morumbi deve ser preterido na escolha dos principais eventos de entretenimento. 

 

"Logo teremos duas arenas novas chegando ao mercado paulistano. A cobertura do Morumbi pode transformar nosso estádio no que se fala agora de padrão Fifa. Não existe projeto de mini arena no mundo como a nossa de 28 mil lugares. Isso proporcionará que todos grandes eventos sejam feitos lá. Sem nossa obra, as duas novas arenas que estão vindo passarão a ser os novos palcos dos eventos em São Paulo e o Morumbi será apenas para o São Paulo mandar seus jogos", disse o cartola.

 

Ceni pode ser ténico

 

O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, é a favor de que o goleiro Rogério Ceni vire técnico de futebol após se aposentar no final do ano. A opinião é a mesma de Juvenal Juvêncio, seu antecessor na gestão. 

 

Mas para Aidar isso só deve ocorrer após Muricy Ramalho, o atual técnico e de quem se confessou um admirador, parar. 

 

"Quando o Muricy estiver aposentado e cansado de ganhar títulos no São Paulo, aí espero que o Rogério Ceni venha a ser nosso técnico. Ele conhece de futebol, tem a vontade, a gana, a garra e é diferente. Por isso é o maior ídolo da história do São Paulo", disse o presidente ontem, após ser eleito presidente do São Paulo, no Morumbi. Para Aidar, Rogério Ceni já reúne as características para se tornar um treinador. 

 

"Conversei com ele semana passada e fiquei impressionado pela visão de jogo que ele tem. Pelos comentários que ele faz dos jogos do São Paulo, ele será, sem dúvida, um dos melhores treinadores do futebol brasileiro", afirmou o mandatário tricolor. 

 

Rogério Ceni tem 41 anos e está o São Paulo desde 1990. É o recordista em títulos (23), jogos (1.136) e tempo no clube. Mas já avisou que irá aposentar ao final desta temporada. Apenas não revelou o que pretende fazer, motivo pelo qual especulá-se que ele pode para virar técnico ou dirigente.