Lutando para se aproximar das principais ligas de futebol do planeta, o Campeonato Brasileiro terá um ano atípico em 2014. Não apenas pela paralisação de um mês e meio que criará uma competição em duas etapas, mas também por conta de diversas variáveis diretamente relacionadas à realização da Copa do Mundo no Brasil. Desde o desafio de utilizar os novos estádios até o risco de debandada de jogadores na abertura da janela de transferências internacionais no segundo semestre.
Parar a disputa do Brasileirão durante a realização da Copa não é novidade, mas agora, como o torneio acontece no Brasil, o tempo de paralisação é maior. A competição terá nove rodadas, até o dia 1º de junho, mas duas rodadas acontecerão já com a Seleção Brasileira treinando - Felipão reúne seus convocados em 26 de maio. E é natural que as atenções do público e da imprensa estejam direcionadas para o Mundial.
Além da preocupação com a longa pausa, que pode atrapalhar aqueles que estão embalados e ajudar os que precisam se recuperar após nove rodadas, existe a ingerência natural do resultado do Brasil na Copa. A tendência é que, em caso de título, o futebol brasileiro, como um todo, receba incentivo. Já um novo “Maracanazo” fatalmente afastaria o torcedor dos estádios - pelo menos por um período logo depois do Mundial.
As arenas, aliás, serão um novo desafio para os clubes e gestores. Entre os 20 participantes do Brasileirão, 11 usarão estádios recentemente reformados ou construídos - muitos deles por causa da Copa do Mundo -, incluindo aí o Palmeiras, que volta à divisão de elite no ano do seu centenário e promete inaugurar o Allianz Parque no segundo semestre deste ano.
O Brasileirão será um termômetro para os novos estádios, que podem aumentar consideravelmente a renda dos clubes ao mesmo tempo que podem gerar prejuízo e afastamento da torcida, principalmente por conta de preços exorbitantes dos ingressos. Assim, projetos de sócio-torcedor passam a ter papel decisivo nas finanças das agremiações. No ano passado, Cruzeiro e Flamengo, respectivamente campeões do Brasileirão e da Copa do Brasil, se deram bem com o apoio da torcida.
Mas não é só na sombra da Copa que viverá a nova edição do Brasileirão, que começa neste sábado (19) e vai até o dia 7 de dezembro. A competição do ano passado acabou no campo, mas ainda tem seus desdobramentos nos tribunais e nas rodas de conversa. Caberá ao Fluminense, beneficiado pelo rebaixamento da Portuguesa depois da punição imposta pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), tentar mostrar que merece mesmo continuar na divisão de elite.
Equilíbrio
Assim como acontece desde 2003, o sistema de disputa do Brasileirão será novamente por pontos corridos, com turno e returno entre os 20 clubes participantes - o que vai totalizar 38 rodadas. E a tendência é de muito equilíbrio, sem nenhum grande favorito já na largada.
Mesmo porque, o campeonato terá claramente duas etapas, antes e depois da Copa do Mundo, o que pode mudar muito o equilíbrio de forças. Assim, quem começar o Brasileirão como favorito pode não ter mais a mesma condição no segundo semestre, já que todos os clubes aproveitarão para treinar bastante durante a paralisação.
A novidade deste ano é a forte presença do futebol catarinense, agora com três representantes na elite: Figueirense, Criciúma e Chapecoense. Ao todo, a disputa terá times de São Paulo, Rio, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Pernambuco e Goiás.