09 de julho de 2026
Articulistas

Política, compromisso de todos

Gerson Vasconcelos Luz
| Tempo de leitura: 3 min

Uma grande porcentagem da população parece colocar a política em segundo plano no seu cotidiano. Uns simplesmente dizem: "não gosto". Outros se recusam a exercê-la de um modo ? digamos ? minimamente satisfatório em face ao que seria o ideal de participação. Mas, o que ganhamos pensado e agindo dessa maneira?

Os gregos do período clássico (séculos V-IV a.C.), principalmente os atenienses, viveram em situação parecida. Sabe-se que em Atenas, daquela época, apenas cerca de 10% da população tinha direito a participação nas decisões da vida pública. Estes 10% era o que, numa expressão derivada do latim, conhecemos por cidadãos. Havia poucos cidadãos em Atenas. Além disso, muitas pessoas, mesmo tendo direitos políticos, se recusavam ao seu exercício. Preferiam cuidar de suas vidas privadas. Estes eram os chamados de idiotés ou, por aproximação de sentido, idiotas.

Ao longo da história, o Brasil avançou ? embora, não o suficiente ? no sentido de ampliar certos direitos. Hoje a liberdade à participação nas questões políticas se estende ao povo na sua totalidade; não somente a algumas categorias, classificações econômicas ou gênero. Conquanto, entre ter um direito e exercê-lo de modo frutífero há uma grande distância. É comum se ouvir expressões do tipo, "política não se discute", "não me meto em política", "política é coisas de gente idiota".

Para muitos, a política se reduz apenas ao compromisso com as urnas em eleições, plebiscitos e referendos. O compromisso deve ser mais amplo e abarcar o maior número possível de deliberações na esfera pública e no cotidiano das pessoas. Moradores de um bairro qualquer podem (e devem) se reunir em praça pública, fazer levantamento de problemas, discutir, sugerir, encaminhar propostas a seus representantes.

Não é o caso de colocar a culpa pelas péssimas legislaturas e administrações públicas nas costas do povo, mas de mostrar que se pode melhorar. Se o empenho do povo fosse maior, e mais qualitativo, provavelmente, muitas ruas da maioria das cidades brasileiras estariam menos esburacadas. Teríamos educação, saúde e segurança de melhor qualidade. Muitos vereadores e prefeitos exerceriam seus cargos com mais responsabilidade.

"Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente" ? está escrito na nossa Constituição. O povo, ao que parece, precisa saber disso! Não apenas saber, mas saber exercer seus direitos e poderes. Rejeitar a política é um tiro no pé. Principalmente a juventude, que precisa refletir um pouco sobre a seguinte fala do ex-presidente Lula, "Não há nenhum momento da história, em nenhum lugar do mundo, que a negação da política tenha trazido algo melhor do que a política. O que aparece sempre quando se nega a política é um grupo praticando, na verdade, a ditadura". A política deve estar sempre em primeiro plano no cotidiano das pessoas. É preciso aprender a gostar de política. Dormir a e acordar com ela.

Não há nada de novo que se esteja sendo dito neste texto. A pretensão não é essa. O que se quer aqui é relembrar que a participação na política é um compromisso de todos. Não só de alguns.

O autor é professor de filosofia